da vida

o jacinto arruma as redes da solheira
na nascente saberá
o rio do mar?
(torreira; 2018)
da vida

o jacinto arruma as redes da solheira
na nascente saberá
o rio do mar?
(torreira; 2018)
do sonho

tudo se desgasta
só tu permaneces

(torreira; s. paio; chinchorros; 2013)
da amizade

há quantos anos
foi ontem?
(torreira; safar; 2018)m safa
sorrio de mim

safar as redes da solheira
sou a memória
de ter sido
habito-me emalhado
na rede dos dias
reinvento-me
em tudo o que faço
sorrio de mim
(torreira; porto de abrigo; 2013)
da escrita

o safar das redes da solheira
só escrevendo
me liberto
do que sinto
safar de outras
redes
da arte de viver
hoje não escrevi
(torreira; 2018)
meditação com a ria em fundo

o ti zé rebeço, homem da ria
quem sou fez-se
quem me fez
não sei se o sabe
vou rente ao mar
enterro na areia os pés
equilíbrio precário
porém seguro e firme
crescemos aprendendo
dolorosamente por vezes
o cuidado no colher
da rosa
é evitar os espinhos
se visíveis forem

ti zé rebeço, a ria como casa
(torreira; regata de bateiras à vela; s. paio ; 2013
olhares cegos

será negra a noite
mas nela encontrarás luz
suficiente
entre noite e noite
muitas cores povoarão
o dia e o teu registo
mas
a cor do dinheiro
ficou esquecida
nos teus postais
olha como quem vê
não como quem ignora
(torreira; safar redes; 2016)
lembrando joaquim namorado
#elenão

queremos paz um mundo
limpo de fome e guerra
o fim de toda a agressão
#elenão
a tua mão na minha
não importa a cor
o sexo a religião
#elenão
a tua diferença
ser a nossa igualdade
o direito de ser
a nossa razão
#elenão
a queda das fronteiras
de todas as barreiras
o fim da solidão
#elenão
estejas onde estiveres
sejas quem fores
só conhecermos
a palavra irmão
#elenão
(torreira; corrida de chinchorros; 2012)
ser ainda

todo o instante
é infinito
nada mais que
névoa
com gente dentro
escorre por entre
os dedos
este ter estado
ter sido
ser ainda
(torreira; cirandar; 2013)
mulher

escrevo ria
com m de mulher
não menina
escrevo esta gente
nestes dias
de velas e vento
de sermos
escrevo ria
com m de mulher
e é laguna
escrevo mulher
numa bateira
e a ria sorri de

(torreira; s. paio; 2018)