assim não


loja cidadão figueira da foz.

juntos contra o vírus; em casa

hoje, 13 de novembro, 10h45m

ninguém a aguardar atendimento para ADSE ou qualquer outro serviço.

pergunto se posso entregar documentos – o procedimento não demora mais de 5 minutos.

que não, não tinha marcação. “mas não está ninguém”, respondi.

“estou à espera de um senhor com marcação para as 11h, agora só segunda às 11h”, disse

felizmente não são todos assim, que má imagem nos dão do serviço público pessoas como esta.

“entendi e não entendo”, limitei-me a responder

mas, assim não

os moliceiros têm vela (428)


sou ainda

torreira; regata da ria; 2011
 esqueço-me
 com facilidade
 
 
 o tempo já
 não me chega
 porque curto
 para tanto
 
 
 lembro-me
 com dificuldade
 
 
 as palavras
 sobem a custo
 os degraus
 do poema e hesitam
 antes de
 
 
 escuto-me
 com acuidade
 
 
 perco-me
 muito
 encontro-me
 tanto
 
 
 sou ainda 

crónicas da xávega (361)


escrevo

torreira; 2005
 escrevo o tempo com imagens
 guardadas nos baús digitais
 da memória comprada
 
 
 a informação diz-me o quando
 eu sei onde ainda sei
 
 
 quando tudo foi ontem e ontem
 foi há tanto tempo
 
 
 sei deste caminho feito
 de achares e perderes
 sei que valeu a pena
 
 
 homens que conheci para desconhecer  
 o tempo tudo limpa e lava  
 mesmo o que mais fundo à superfície vem
 
 
 escrevo o tempo com imagens
 como todos os que arriscam palavras
 escrevo-me também e isso não é novo
 para ninguém 

postais da ria (369)


amigos

torreira; porto de abrigo; 2018
então trocas os nomes
confundes os rostos
reconheces a voz
mas é tarde


não tardou o tempo
a crescer onde diminuis


então trocas os nomes
os que não esqueceste
que a memória também


os amigos sorriem e respondem
por um nome que não é o deles


os amigos são para além do nome
o gesto o abraço o sorriso


então sorris também porque
não há trocas na amizade