numa folha de alface escrevi um poema depois com um prazer diferente saboreei-a o que aqui ficou caiu da folha escorregou enquanto a lavava
moliceiros
postais da ria (388)
os moliceiros têm vela (442)
de abril a vinte e cinco
de abril a vinte e cinco o cravo barato vulgar povo foi símbolo sem querer sem espinhos foi sonho sem espinhos foi ilusão sem sangue cansados de tanto abril a vinte e cinco foi porta foi janela o poder ser se fosse o cravo cacto espinhoso no extremo a flor a colher tivessem sangrado as mãos fosses tu a colhê-lo não o sonho ofertado fosses tu a colhê-lo fosses
os moliceiros têm vela (441)
os moliceiros têm vela (440)
os moliceiros têm vela (439)
os moliceiros têm vela (438)
os moliceiros têm vela (437)
os moliceiros têm vela (436)
inocentes

pedem-me que cale que não ligue denunciar é dar palco dizem e quedam-se no seu saber calado há a poesia a música o cinema o futebol há a cultura costas largas há o que não nos divide porque não é relevante há o silêncio que consente peço-lhes que falem que digam o que pensam se existem além do pensar calados críticos de tudo aí estarão no fim do caminho limpos sorridentes e isentos acabados de nascer e ainda por lavar











