sobre os vidros
lentos
passeiam os dedos
pés de outras caminhadas
em que o pó do tempo
cai sonolento
às palavras
um simples bafo
as assassina
(xávega; arribar; torreira; 2016)
não sei
de metáforas
nem da arte dos poetas
de entretecer versos
sei
da crueza da carne
das mãos da ternura
dos dedos que desenham
corpos
que se entregam
se penetram fundem possuem
sei
da loucura das bocas
das palavras silenciadas
prisioneiras de lábios cerrados
de línguas sorvidas
na voracidade dos desejos
desenfreados
sei
do renascer matinal
dos espasmos dos abraços
dos corpos cansados lassos
sei
que todo o início encerra
um fim
sei
que sei de mim
(murtosa; cais do chegado)