abraço-vos


abraço-vos

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walmir chagas o homem instrumento

escrevo abraço
com a de abril
começo de
afonso do zeca
 
abraço a geografia
os afectos
as palavras
os cravos de abril
 
quem
abraço neste abraço
sente
 
os mais são só
isso
 
escrevo abraço
abraço abraço
 
e abraço-vos
porque hoje
passei a tarde
convosco
 
(figueira da foz; sam; março, 2019)
 
para o beto, walmir, geraldo, clarisse e bruno
os moliceiros têm vela (352)

os moliceiros têm vela (352)


salve mestre

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mestre antónio esteves e a sua obra: o “presidente”

esqueçam os planos
traçados a rigor de esquadro
medidas milimétricas
sofisticação de computador
 
o mestre tem outra arte
outras medidas outras regras
 
única e irrepetível
a obra
sempre a primeira
sempre a última
 
a obra do mestre
é a SUA OBRA
 
salve mestre
 
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mestre antónio esteves e a sua obra: o “presidente”

(murtosa; praia do bico; 31 de março; 2019)
 
crónicas da xávega (301)

crónicas da xávega (301)


o silêncio
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o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto) a soltar o arinque do calão

o silêncio
é um lugar habitado
 
música dos amigos
ruídos de memórias agrestes
balbuciar de crianças
 
o silêncio
é um lugar habitado
 
conheço-o bem demais
a insónia povoa-o
de nomes gestos imagens
 
o silêncio
é um lugar habitado
 
onde te encontro
sem te ver
 
(torreira; 2013)
 
os moliceiros têm vela (350)

os moliceiros têm vela (350)


moliceiro
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à esquerda o ti zé rebeço, no o bota-abaixo do “Presidente”

 
de materiais vários
se faz o barco
mestres os mestres
na escolha
 
sucedem-se gerações
legam-se moldes
paus de pontos saberes
 
porém
é no erguer da vela
que o moliceiro
levanta a voz e fala
 
eis-me de regresso
inteiro e belo
 
assim o quero ver
enquanto
 
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à esquerda o ti zé rebeço, no o bota-abaixo do “Presidente”

 
(murtosa; praia do bico; 31/03/2019)