postais da ria (565)


NÃO
assim em maiúsculos inusuais
como um grito de revolta
pedrada nas janelas dos dias

NÃO
assim em maiúsculos inusuais
como um grito de revolta
pedrada nas janelas dos dias

NÃO
posso calar tudo o que dentro
de mim ferve e se impõe
contra o silêncio a prepotência

NÃO
o ter armas poder dinheiro NÃO
tem força de lei mas sim
marginais loucos engravatados

NÃO
aceito a conversão de dólares
em crianças assassinadas
o lucro cego pago com sangue

NÃO
chamem-me perigoso terrorista
escrevam o meu nome
a vermelho mas ESCREVAM que

NÃO me verguei nunca

NÃO
ao GENOCÍDIO em GAZA
ao governo de netanyahu
NÃO à GUERRA SIM à PAZ

PALESTINA LIVRE

(regata de bateiras à vela; s. paio; torreira; 2017)

skim board_buarcos (11)


não sabe o rio do leito
por ele corre sem o saber

vemos e sabemos o como
o porquê é óbvio e obscuro
de sangue morte e terror
se maquilham palhaços

falsos imperadores
sorriem ante o horror
reis que nus vão foram
muitas vezes eleitos

o bobo abraça o tirano
sonham-se maiores
sádicos poderosos são
mercadores de ódio

não sabe o rio do leito
não sabemos nós da foz

(skimming; buarcos; tamargueira; 2011)

apresentação do livro “noturnos” de rui sobral na livraria do largo


no dia 27 de setembro de 2025 decorreu na livraria do largo, na figueira da foz, uma apresentação do livro “noturnos” de rui sobral, do acontecido aqui fica o registo vídeo possível obrigado paulo delgado e luísa bonito

crónicas da xávega (614)


escolho escolher

escolho o que como
o que bebo sei o que posso
onde vou e quando

eu na minha inteireza sou
rocha antiga firme
em convicções e causas

não conheço quem
possa escolher um povo
que não o escolha

é pescadinha de rabo
na boca e isso
só com arroz de tomate

(xávega; zorra carregada com barco em fundo; torreira; 2013)

crónicas da xávega (613)


cavar fundo
revolver a terra

cavar mais fundo
abrir pedras

na raiz da palavra
o coração do poeta

saboreio o fruto
digo o poema

(xávega; rede seca carregada a preceito; o voo do saco; torreira; 2013)

nota: depois de ter secado, estendida no areal, a rede é colocada sobre a zorra – estrado de tábuas pregadas sobre toros, com uma corda para poder ser traccionada – com a seguinte sequência : mão de barca; saco; reçoeiro (terminologia da torreira)