crónicas da xávega (366)


dar o porfio

xávega; dar o porfio; torreira; 2011
olho as palavras
que foram minhas
com o espanto
de o terem sido
 
quem fui
para as ter escrito
 
quem sou
quando as escrevo

quem serei
quando as lerem
  
indiferente o agostinho
dá o porfio ao saco

essencial para o pescador
é um bom laço de carapau
 
 

postais da ria (376)


amizade

(para o mirco bompignano)

torreira; regata de bateiras à vela; s. paio; 2010
 
 não há mar que nos aparte
 nem terra que barreira seja
 
 caminhei por sobre a ria
 ao encontro do mar  
 e o inverso que caminho
 também o era
 
 não há mar que nos aparte
 nem terra que barreira seja
 
 o sentir vai e vem por onde
 caminhar pode
 sem saber de outro destino
 que o encontro  
 
 não há mar que nos aparte
 nem terra que barreira seja
 
 apenas uma palavra percorre
 estes dias e é amizade
 
 

os moliceiros têm vela (428)


sou ainda

torreira; regata da ria; 2011
 esqueço-me
 com facilidade
 
 
 o tempo já
 não me chega
 porque curto
 para tanto
 
 
 lembro-me
 com dificuldade
 
 
 as palavras
 sobem a custo
 os degraus
 do poema e hesitam
 antes de
 
 
 escuto-me
 com acuidade
 
 
 perco-me
 muito
 encontro-me
 tanto
 
 
 sou ainda