parabéns ti abílio carteirista


parabéns ti abílio

0 ahcravo_DSC_7731 s bwa

eis o homem da beira-ria, chama-se abílio carteirista

será que este ano são mesmo os 80? ou foi o ano passado?

quem conhece o ti abílio (carteirista) sabe bem que com ele tudo é possível.

eu acredito que este ano são mesmo 80 anos.

fala-se muito da “brejeirice da beira-ria” quando se analisam alguns painéis de moliceiros, mas só se sabe o que é a “brejeirice da beira-ria” depois de alguns momentos de convívio com o ti abílio.

fala-se do “duplo sentido” que algumas legendas de painéis de moliceiros utilizam, veja-se a alcunha “carteirista” e pensa-se logo numa interpretação, mas …… (vejam o vídeo)

o ti abílio tem também da tradição dos homens da beira-ria, no saber o valor da palavra e no reconhecer os amigos – é o que somos.

o ti abílio é a beira-ria

parabéns ti abílio, seja qual for a idade que você comemora hoje, nunca parecerá a que é.

abraço do amigo cravo

(os clips de vídeo, que registei em conversa com o ti abílio, mostram um ti abílio sério, de boa memória, muita experiência de vida e capaz de encarar o futuro com um discernimento que incomodará muitos de menos idade.
hoje o primeiro da série)

rui miguel fragas _ “A ÚLTIMA RODADA”


DSC02333 f

Rui Miguel Fragas, pseudónimo de António Rui Féteira, nasceu em 1964, em S. Miguel de Poiares (Coimbra). Licenciou-se em filosofia na Universidade de Coimbra. publicou alguns poemas e contos nas revistas Alma Azul e Aeroplano. tem três livros de poesia publicados: ” O Nome das Árvores” (Poética Edições, 2014), “Não sei se o Vento” (Poética Edições, 2015) e “O Rumor das Máquinas” (UA Editora, Universidade de Aveiro, IV Prémio Literário Aldónio Gomes, 2015). Participou na antologia “As Vozes do Isaque”«, Derivações Poéticas a partir da obra “O Último Poeta” (Poética Edições, 2016). Em 2017 venceu a VII edição do concurso Poesia na Bibilioteca, Condeixa-a-Nova, com o poema “O cão de Pavese”.

*

O mundo está reduzido a cinzas, soluçou uma das mulheres, ao sue lado. Ardeu o mundo inteiro no meio do borralho arde agora a memória de tudo quanto ardeu. Nada disso, ripostou o coveiro. DE acordo com o que vem escrito na bíblia, ardeu, quanto muito, uma terça parte da terra e uma terça parte das árvores e uma terça parte dos homens. Quanto a nós, que é o que interessa, estamos vivos. E para quê, suspirou a mulher num fio quebrado de voz.

(da badana do livro)

da apresentação do livro de contos “A ÚLTIMA RODADA“, feita na biblioteca municipal da figueira da foz e promovida pelo clube de leitores, aqui fica o registo possível.

 

(obrigado amigo Santos Silva pelo registo)

joão da calada, o meu arrais


0 ahcravo_DSC_2102

há registos difíceis de fazer, há outros que nunca imaginámos conseguir fazer, este é um deles.

o joão da calada, amigo de há quase 30 anos, veste bem a alcunha da família, é difícil ouvi-lo falar para uma gravação ou deixar-se fixar numa fotografia. a forma como acedeu a ser filmado é, por si só, outro filme.

foi o arrais da primeira companha que acompanhei, é o meu consultor quando tenho dúvidas – nunca deixou de atender o telefone e dar-me o esclarecimento que pretendia.

é o meu arrais e …. desta vez deixou-me fazer o filme possível e as fotos que nunca pensei conseguir fazer. não são os ideais, mas para mim, são um abraço, o maior abraço que o meu arrais me deu.

bem hajas joão da calada.

 

(torreira; 13 de junho de 2017)

 

 

ao moliceiro desconhecido


” – ti zé, quando é que podemos gravar ?
– oh cravo, agora estou sozinho, mas pode ser segunda-feira pelas 6 da tarde”

foi assim e na segunda-feira, dia 12 de junho de 2017, nos juntámos na cozinha do ti zé rebeço e fizemos a gravação a que assistiram..

houve estórias para além de haver bateria que a memória é rara, as vivências muitas e o homem enorme.

memória de um tempo, de uma geração, de uma ria que já não volta mas importa celebrar e, porque não, reviver.

obrigado ti zé, há momentos em que vale a pena estar vivo, estes foram momentos em que valeu a pena.

 

 

(depois de ouvir a história de vida do ti zé rebeço)

 

 

0 DSC_6124 moliceiro zé rebeço sep

eis o homem
sejam nele todos quantos
antes muito antes
araram e ceifaram a ria

límpidas e puras as palavras
como então as águas
que sulcavam a bordo dos seus barcos

homens sem nome sem rosto
moliceiros desconhecidos
a quem a terra que adubaram
que a tantos deu de comer
ainda lembra mas não recorda

ao moliceiro desconhecido
na terra que o viu nascer
tudo mas tudo lhe é devido

tarda a hora de o fazer

0 DSC_6124 moliceiro zé rebeço bw

(o ti zé rebeço revive a descarga com moliço, no cais do bico)