crónicas da xávega (160)


só esses

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a companha carrega o saco na zorra

vêm da terra as vozes
que não ouvimos
o termos nela raízes
é o silêncio de sermos
sem necessidade de alarido

escrevo nós
e não é o pronome que ouço
são os laços
tão fortes e tão frágeis
que o tempo romperá a seu tempo

não precipites os dias a haver
vítima serás
se carrasco quiseres ser

abraço quem me abraça
escreveu o poeta
eu também

só esses

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todos unidos, são a companha

(torreira; companha do marco; 2015)

crónicas da xávega (158)


amigos

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a equipa do reçoeiro, da companha do marco, em 2010, quando a manga chegava e era necessário pedir reforço:

da esquerda  para a direita

– joão rodinhas (agora no bacalhau)

–  ana amaral

– alfredo amaral

– miguel biatolra

– nicole (falecido)

a memória é isto, saber-lhes os nomes e vê-los aqui, mesmo quando já não.

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(torreira; companha do marco; 2010)

M. Fátima: o bota-abaixo


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no dia 30 de abril, de 2016, às 10h da manhã, na rampa do porto de abrigo dos pescadores da torreira, todos os que puderam assistiram ao bota-abaixo do M. Fátima.

alguns, como eu, tiveram ainda o prazer de fazer uma pequena viagem na ria, sonhando já com a a primeira ida ao mar.

o M. Fátima ficará na história por 2 razões principais, que outras haverá:

– é primeiro barco de mar a ser construído na torreira
– é o primeiro barco de mar construído pelo arrais e não, como todos os outros, encomendado a um mestre carpinteiro naval
gostava de não o escrever, mas o M. Fátima depois de ser o primeiro em tudo o que atrás disse, pode também, e infelizmente,
ser o último barco de mar a ser construído. quem que a história me venha a contradizer.

por tudo isto estão de parabéns o arrais marco silva, albina amador, jorge carriço, ricardo silva e josé oliveira, cujos nomes ficarão para sempre associados à construção e pintura deste barco.

haja peixe e bons preços, que bons mestres e boa companha aqui temos, para que o M. Fátima trabalhe por muitos anos.

crónicas da xávega (156)


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e vai ao mar

enquanto o novo M. Fátima espera que as burocracias se completem para ir ao mar, aqui fica uma recordação de 2012, do barco agora em descanso.

brava gente esta, a dos homens da xávega. saibam respeitá-los e dar-lhes condições de trabalho.

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momentos de mar

(torreira; companha do marco; 2012)

M. FÁTIMA


no dia 26 de janeiro de 2016, começou a ser construído, na torreira, o barco de mar M. FÁTIMA. participaram na construção o arrais marco silva, albina amador, jorge carriço e ricardo silva. as pinturas de decoração foram obra do pintor josé oliveira.
 
o registo que aqui fica, uma breve entrevista com marco silva e algumas imagens do barco acabado, foi realizado no dia 22 de abril de 2016.
 
de admirar a capacidade de trabalho e a diversidade de artes em que o arrais marco silva intervém: arrais de mar, mestre de redes, mecânico e construtor naval – já lá vão uma bateira mercantel, um moliceiro (no ano passado) e agora um barco de mar.
 
como pode ser visto no registo é o primeiro barco com 2 motores, segurança que marco silva sempre pretendeu ter, bem como as dimensões e características do barco, de que dá nota na breve entrevista que lhe fiz.
 
seja este trabalho, uma homenagem a um amigo e grande homem do mar, da ria e da nossa xávega, chamado MARCO SILVA
 

crónicas da xávega (154)


dar voz a quem

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saco seco, sacudido, para cima da zorra

a fotografia aos fotógrafos
a poesia aos poetas
nada mais vos quero deixar
que a memória das gentes
as palavras do que sinto
sou ou tento ser

tenho a noção
do quão pouco valho
mas não seja por isso
que nada faça

como esta gente carrega
as redes que ao mar se hão-de fazer
também eu dou o que tenho
sabendo que mesmo pouco
falta fará que seja feito

leio vejo escuto
com nada fico
se tenho dou reparto
migalhas sejam
como estas

pão à mesa de quem
não tem voz

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a companha são todos

(torreira; companha do marco; 2015)

crónicas da xávega (153)


HOMENS

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a pancada é dura

sei que antes de entrarem
no barco olham o mar

sei que se benzem
sei que têm fé

sei que precisam de
ir ao marpara ganhar a vida

porque gostam
porque é um desafio

porque são HOMENS

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HOMENS

(praia de mira; companha do zé monteiro; 2010)