sou ainda
esqueço-me com facilidade o tempo já não me chega porque curto para tanto lembro-me com dificuldade as palavras sobem a custo os degraus do poema e hesitam antes de escuto-me com acuidade perco-me muito encontro-me tanto sou ainda
do livro “Não sei se o vento” de rui miguel fragas
o poema “XXVIII” faz parte do livro “UM CAVALO SENTADO À PORTA”
escrevo
escrevo o tempo com imagens guardadas nos baús digitais da memória comprada a informação diz-me o quando eu sei onde ainda sei quando tudo foi ontem e ontem foi há tanto tempo sei deste caminho feito de achares e perderes sei que valeu a pena homens que conheci para desconhecer o tempo tudo limpa e lava mesmo o que mais fundo à superfície vem escrevo o tempo com imagens como todos os que arriscam palavras escrevo-me também e isso não é novo para ninguém
“Recriação da safra à moda antiga” – foto 16
é quando o vento sopra forte

é quando o vento sopra forte que das árvores caem ramos folhas frutos alguns vermes é quando o vento sopra forte que as gaivotas pairam poisadas no vento por sobre o mar é quando vento sopra forte em dias de sol que se faz mais sal no talho mas não flor