numa folha de alface escrevi um poema depois com um prazer diferente saboreei-a o que aqui ficou caiu da folha escorregou enquanto a lavava
moliceiros
os moliceiros têm vela (442)
de abril a vinte e cinco
de abril a vinte e cinco o cravo barato vulgar povo foi símbolo sem querer sem espinhos foi sonho sem espinhos foi ilusão sem sangue cansados de tanto abril a vinte e cinco foi porta foi janela o poder ser se fosse o cravo cacto espinhoso no extremo a flor a colher tivessem sangrado as mãos fosses tu a colhê-lo não o sonho ofertado fosses tu a colhê-lo fosses
os moliceiros têm vela (440)
os moliceiros têm vela (439)
os moliceiros têm vela (438)
os moliceiros têm vela (437)
os moliceiros têm vela (436)
inocentes

pedem-me que cale que não ligue denunciar é dar palco dizem e quedam-se no seu saber calado há a poesia a música o cinema o futebol há a cultura costas largas há o que não nos divide porque não é relevante há o silêncio que consente peço-lhes que falem que digam o que pensam se existem além do pensar calados críticos de tudo aí estarão no fim do caminho limpos sorridentes e isentos acabados de nascer e ainda por lavar
os moliceiros têm vela (435)
os moliceiros têm vela (432)
os moliceiros têm vela (431)
português emigrante

partiram de bolsos vazios e o país no coração sonhavam uma vida melhor uma casa a velhice diversa foram dos primeiros e voltaram e no voltarem foram os últimos filhos e netos semearam que outras raízes criaram mais que uma bandeira são um povo orgulhoso das suas origens é uma honra ter entre eles tantos amigos









