até já

torreira; safar redes; 2019
o tempo que nos foi dado
é uma ferramenta
de desgaste rápido
desperdiçado
não se recupera
até já

torreira; safar redes; 2019

torreira; reparar redes; 2019



(torreira; porto de abrigo; 2018)



o salvador e a maria do carmo, marido e mulher, camaradas
quando o mar trabalha

depois de seco o saco é de novo fechado para o aparelho da xávega poder fazer novo lanço. ao acto de fechar o saco chama-se “dar o porfio”, é o que está a fazer o meu amigo agostinho canhoto
é de rede
deitada ao mar do tempo
este livro
em terra
ficará a contar estórias
a falar de muitas vidas
e saberes
fora dele muito mais
que para tudo
saco não havia
e peixe houve que saltou
deu-se o porfio
fechou-se o saco
é na praia que encontras
os búzios que procuraste
em casa
(torreira; 2011)
(praia de mira; 2009)
que dizer-vos destes tempos em que assisto a tentativas sucessivas de assassinato da memória? que dizer-vos da raiva angústia desespero destas gentes que são as as minhas que são as nossas que somos nós? quem seremos amanhã se nos querem roubar o hoje o ontem? quem seremos amanhã se nos querem roubar o sermos? o povo será sereno mas até a serenidade tem limites até quando?