torreira
quem safa as redes, safa a vida ?
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
crónicas da xávega (203)
caminhos de areia

de praia em praia
outros os homens
a mesma arte
diversos os fazeres
percorro caminhos de areia
olhos postos nos homens
e no mar
sempre no mar
encontro homens
barcos redes
sal suor peixe
vou por aí
mas vou sempre sempre
para o mar
(torreira; 2016)
quem safa redes, safa a vida?
torreira; 2017
quem safa as redes, safa a vida?
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
(torreira; 2017)
quem safa as redes, safa a vida?
quem safa redes, safa a vida?

depois de largar e alar
safar peixe se algum
há que limpar, safar e arrumar
as redes
quantas horas?
quanto de ganho?
(torreira; 2017)
a dança das redes (1)
quem safa redes, safa a vida ?
(torreira; 2017)
aos que morreram pela mão do fogo (2)
é urgente uma flor

depois de tudo ter ardido
é urgente uma flor
todos
todos merecem uma flor
é urgente reaprender
a florir
é urgente uma flor

(regata da ria; 2010)
aos que morreram pela mão do fogo (1)

hoje é o primeiro dia
de luto
façamos dele
mais um dia de luta
pelo planeta
pelos povos
contra a estupidez cega
do lucro desenfreado
pelo cumprimento
do acordo de paris
hoje é o primeiro dia
de luto
mas não me basta que o seja
quero mais
hei-de querer sempre mais
um dia de luta

(regata da ria, 2010)