os moliceiros têm vela (238)


(meditação com moliceiros em fundo)

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filho da mãe

durante muito tempo me interroguei do porquê de a expressão “filho da mãe”, ter um sentido depreciativo.

para mim, ser filho da mãe era tão natural como estar vivo, não há outra forma de ser.

mas o povo, o que nos põe na boca as expressões que usamos, sabe das palavras mais que as letras, vai-lhes ao sentir. era isso que me faltava: sentir.

hoje entendo perfeitamente o significado da expressão e a sua conotação depreciativa, entendo porque senti e sentir é a melhor forma de compreender.

espero que nunca sintam o sentido desta frase e que a digam de forma natural, como o fazem com outra qualquer:

FILHO DA MÃE!

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(torreira; regata da ria; 2011)

os moliceiros têm vela (237)


falo do moliceiro

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um barco
não tem raízes
é raiz

navega memórias
redesenha silêncios
inventa futuros

o homem criou o barco
e nele se enraizou
para fazer a viagem

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(torreira; regata do s. paio; 2016)

fotografar moliceiros de dentro de um moliceiro é viver mais a fotografia

os moliceiros têm vela (236)


o fotógrafo e o moliceiro

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há momentos que dificilmente se repetirão, este é um deles.

éramos 3 dentro do moliceiro, dentro da regata, no meio da ria – eu, o carlos lopes franco e o ti abílio.

o ti abílio tripulava o barco, eu e o carlos, tentávamos captar as imagens possíveis.

foi de loucos. a acção ultrapassava tudo, até um hipotético enjoo do carlos (olha que eu enjoo – tinha-me dito).

não houve tempo para mais nada senão viver o instante.

junto do traste, depois de ter feito o filme possível, que ainda espera edição, fotografava como sabia e o que podia.

neste registo o carlos fotografa o ti abílio – esquecido de tudo o resto -, o ti abílio governa o moliceiro – não pensa em mais nada – e eu fixo o momento.

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(torreira; regata do s. paio; 2016)