depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
dúvida

a linda e o trovão cirandam ameijoa, sem qualquer dúvida
as palavras saram
as feridas do silêncio
ou
será o contrário
(torreira; 2016)
o caminhar

arribam as mangas
o caminhar
tudo te desvendará
por vezes será doloroso
segue sempre pelo lado do sol
rente à cal tudo se desenha
saberás então
se apenas sombra o homem
no pão a sardinha escorre
também a verdade no tempo
(torreira)
a memória

o carregar do saco seco na zorra
a memória escreve-se
na areia e vai com o vento
não há malhas que a prendam
e tudo flui somando-se dias aos dias
assim sempre mesmo já quando
saber-lhes os nomes hoje ainda
é mistério que não entendo
aceito
como aceitarei
o não os saber
sei que o tempo
corre numa praia
por onde passo
e já tanto passei
olho tudo com a sensação
de que estive onde estive
sempre de corpo inteiro
assim como não estarei
(torreira; 2016)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
(torreira; junho; 2017)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
irei até onde com o que

ciranda de dois, amigos todos
tudo é de novo início
tardio mas início
escasso o tempo
desgastado o corpo
cirandado pelo tempo
caminho
caminho
caminho
o que resta de mim
sonhos por cumprir
irei até onde com o que
(torreira; cirandar)
da leitura

tivesse eu lido
o homem
como o homem
lia o mar
soubera eu

(torreira; 2016)