
não é para todos

(torreira; companha do marco; 2013)

não é para todos

(torreira; companha do marco; 2013)
a arraisa albina

escolhe o peixe manel
olha o tamanho sarapol
e tu agostinho
lá porque és canhoto
não te enganes
albina
depois de escolher
há que vender
responsabilidade
da arraisa

(torreira; companha do marco; 2010)

no dia 30 de abril, de 2016, às 10h da manhã, na rampa do porto de abrigo dos pescadores da torreira, todos os que puderam assistiram ao bota-abaixo do M. Fátima.
alguns, como eu, tiveram ainda o prazer de fazer uma pequena viagem na ria, sonhando já com a a primeira ida ao mar.
o M. Fátima ficará na história por 2 razões principais, que outras haverá:
– é primeiro barco de mar a ser construído na torreira
– é o primeiro barco de mar construído pelo arrais e não, como todos os outros, encomendado a um mestre carpinteiro naval
gostava de não o escrever, mas o M. Fátima depois de ser o primeiro em tudo o que atrás disse, pode também, e infelizmente,
ser o último barco de mar a ser construído. quem que a história me venha a contradizer.
por tudo isto estão de parabéns o arrais marco silva, albina amador, jorge carriço, ricardo silva e josé oliveira, cujos nomes ficarão para sempre associados à construção e pintura deste barco.
haja peixe e bons preços, que bons mestres e boa companha aqui temos, para que o M. Fátima trabalhe por muitos anos.

e vai ao mar
enquanto o novo M. Fátima espera que as burocracias se completem para ir ao mar, aqui fica uma recordação de 2012, do barco agora em descanso.
brava gente esta, a dos homens da xávega. saibam respeitá-los e dar-lhes condições de trabalho.

momentos de mar
(torreira; companha do marco; 2012)

depois da apanha a escolha
já cheira a mar

o segredo da escolha está nas mãos e nos olhos
o delmar viola escolhe o carapau de acordo com o tamanho
(torreira; companha do marco; 2014)
dar voz a quem

saco seco, sacudido, para cima da zorra
a fotografia aos fotógrafos
a poesia aos poetas
nada mais vos quero deixar
que a memória das gentes
as palavras do que sinto
sou ou tento ser
tenho a noção
do quão pouco valho
mas não seja por isso
que nada faça
como esta gente carrega
as redes que ao mar se hão-de fazer
também eu dou o que tenho
sabendo que mesmo pouco
falta fará que seja feito
leio vejo escuto
com nada fico
se tenho dou reparto
migalhas sejam
como estas
pão à mesa de quem
não tem voz

a companha são todos
(torreira; companha do marco; 2015)
HOMENS

a pancada é dura
sei que antes de entrarem
no barco olham o mar
sei que se benzem
sei que têm fé
sei que precisam de
ir ao marpara ganhar a vida
porque gostam
porque é um desafio
porque são HOMENS

HOMENS
(praia de mira; companha do zé monteiro; 2010)

o stalone, o horácio, o calão, a mão de de barca, a manga
ao fundo virá o saco
no fundo do saco, talvez peixe
se peixe houver, que peixe será
se for do vendável, a como o comprarão, se é que o comprarão
é peixe fresco, é peixe do mar, é suor desta gente
quem o come, come ouro, mas alguns ainda o querem dado. estão de férias e esquecem-se que só o estão, porque lhes pagaram o ano inteiro.
quando aqui chegares traz mais
que uma máquina
um fato de banho
um desejo de sol e mar
traz o entendimento
que esse
nunca o deixes ir de férias

(torreira; companha do marco; 2013)
meditação breve

a fotografia aos fotógrafos
a poesia aos poetas
nada mais vos quero deixar
que a memória das gentes
as palavras do que sinto
sou ou tento ser
tenho a noção
do quão pouco valho
mas não seja por isso
que nada faça
como esta gente que espera
os que ao mar se hão-de fazer
também eu dou o que tenho
sabendo que mesmo pouco
falta fará que seja feito
leio vejo escuto
com nada fico
se tenho dou reparto
migalhas sejam
como estas
pão à mesa de quem
não tem voz

(torreira; companha do marco; 2009)
cheguem os que ao mar vão, que tudo está pronto para a partida e a voz de mando do arrais