os moliceiros têm vela (369)

os moliceiros têm vela (369)


sonho ainda
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murtosa; regata do bico; 2017)

 
não nego a solidão
nem a cultivo
 
estou comigo e sou
ergo-me em mim
corto a direito
 
o meu tempo é duro
se amargos alguns dias
inteiros todos são
 
recuso não ser eu
custou muito
fazer-me
 
sonho ainda
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murtosa; regata do bico; 2017

 
josé santos silva ou “uma vitória do diabo”

josé santos silva ou “uma vitória do diabo”


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62 anos de idade, mais de 40 a trabalhar no museu santos rocha na figueira da foz, josé santos silva – o santos silva, como o tratam os amigos – é uma caixinha de surpresas e ele próprio um museu vivo.
com muitos e variados interesses e conhecimentos, “ajuntar” diabos é, há muitos anos, um dos seus interesses.
entre julho e novembro de 2019, está patente no museu santos rocha, na figueira da foz, um conjunto de mais 80 diabos nas mais variadas “encenações”.
a exposição leva o título “A [F]figueira tem o DIABO à beira”
homem de ideias, santos silva é um provocador dos diabos

 

os moliceiros têm vela (368)

os moliceiros têm vela (368)


uma imagem vale mais que mil palavras ?
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aveiro; ti zé rebeço e abílio carteirista; julho; 2019

 
(porque gosto muito deste registo, não o queria perder, nem que fosse mal interpretado, por isso sobre ele umas palavras breves)
 
uma imagem é só isso, livre de a interpretar fica quem a lê; palavras fossem e o mesmo poderia escrever.
 
neste caso, a leitura mais imediata das expressões será a da existência de uma controvérsia acesa entre os intervenientes. nada mais errado.
 
o que a imagem retrata – porque não encenada – são as posturas mais usuais de cada um dos intervenientes: o indicador da mão direita esticado (típico no ti abílio) e as mãos abertas (tão comum no ti zé rebeço).
 
a conversa foi acesa, sim, mas a três – o homem da máquina, eu, também entrou nela – e o acordo foi constante, falámos de moliceiros e das regatas.
 
a expressão gestual das opiniões ficou registada na imagem, não o seu sentido. por isso estas palavras que, não sendo mil, resgatam, de qualquer interpretação quase óbvia e errónea, o que de facto se passava: tão só conversa de amigos.
 

fazer sal na figueira da foz


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em 2016 e 2017 fotografei o salgado da figueira – morraceira e armazéns de lavos.
aprendi os termos”chave da faina e conheci quase todos os marnotos, ou marronteiros.
das diferentes fases do trabalho de fazer sal. mão amiga recolheu neste registo o essencial, dotou-o de música e fez este foto filme.
palavras chave: talho, ugalho, rer, achegar, mexer, cumbeirar, enfeitar.