retratos da minha terra


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tenho amigos assim
tão virtuais que reais são
colhem as minhas fotos
fazem filmes
e enviam-mos
estou vivo
e com amigos assim
estou no mundo
a minha terra
são muitas terras
obrigado a ti
que não queres ser citado
mas que na sombra
deste outra luz
à luz que roubei por aí
memória_03042011

memória_03042011


um dia
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praia de buarcos; 2008

um dia
o meu poema vai levantar voo
das folhas brancas
 
um dia
o meu poema ave vai encontrar-te
na planície da ausência presente
e pousar suavemente
nos teus olhos sequiosos de luz
 
um dia
o meu poema barco
partirá para os mares de bocas
lábios gretados em busca de palavras
 
um dia
o meu poema
deixará de ser
meu
 
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praia de buarcos; 2008

memória_01042011


lurdes catelhana (canhoto)
KONICA MINOLTA DIGITAL CAMERA
todos os dias, de acordo com as instruções do arrais chico giesteira (chico de ovar), a companha faz as viagens de ida e volta: furadouro-torreira.
instalam-se ao sul do molhe sul, onde têm tudo o que é necessário para passar o dia: uma caixa térmica de uma carrinha, que serve de dispensa, um coberto que abriga uma mesa e equipamento de cozinha.
um depósito industrial de gasóleo para abastecer tractores e motores.
da companha fazem parte duas mulheres, que ajudam na escolha do peixe e cozinham para toda a companha. a organização imposta pelo arrais e voluntariamente aceite por todos, é a melhor que até hoje vi.
se há ainda lobos do mar, o chico é certamente um deles.
(companha do pepolim – do furadouro a trabalhar na praia da torreira; 2006)