sobram palavras
hoje
guardo as palavras
para outro dia
chove em junho
o sol tarda
com ele o sal
não sei
quando o verei tirar
mau vai o ano
para quem dele vive
sobram palavras
onde o sal falta

(morraceira; tirar; 2016)
sobram palavras
hoje
guardo as palavras
para outro dia
chove em junho
o sol tarda
com ele o sal
não sei
quando o verei tirar
mau vai o ano
para quem dele vive
sobram palavras
onde o sal falta

(morraceira; tirar; 2016)

«Volta a Portugal» na sessão de maio das «5as de Leitura»
A sessão de Maio do projecto de incentivo e promoção da leitura «5as de Leitura» conta com a presença de Álvaro Domingues e do humorista, guionista e apresentador de televisão, João Moreira, conhecido, sobretudo, pelo seu trabalho com a personagem Bruno Aleixo, de quem é co-criador e a quem dá voz.
Álvaro Domingues, geógrafo e professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde também é investigador no CEAU-Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo, vem apresentar o seu mais recente livro «Volta a Portugal», um “ verdadeiro Google Maps da portugalidade”.
(do convite)
biografia e biliografia de Álvaro Domingues
– Álvaro Domingues (Melgaço, 1959) é geógrafo e professor na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde também é investigador no CEAU-Centro de Estudos de Arquitectura e Urbanismo. Para além das suas funções docentes na Universidade do Porto e noutras universidades publica com regularidade sobre temáticas relacionadas com a geografia urbana, o urbanismo e a paisagem.
obras publicadas: Políticas Urbanas; A Cultura em Acção
Impactos sociais e território; A Rua da Estrada; Vida no Campo; Volta a Portugal
https://www.wook.pt/autor/alvaro-domingues/28657
João Moreira (Coimbra, 3 de dezembro de 1980) é um humorista, guionista e apresentador de televisão português. É conhecido, sobretudo, pelo seu trabalho com a personagem Bruno Aleixo, da qual é co-criador.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Moreira
Uma sessão muito animada, dominada pela forma irónica da abordagem feita pelo autor à temática em debate: o território.
como Álvaro Domingues confessou no final da sessão, esta apresentação foi “atípica”, porque não se falou do livro – que merece a pena visitar -, mas em que se fez uma volta Portugal muito interessante (digo eu)
do acontecido fica o registo possível
sagradas as palavras
digo das palavras
o sal do sentir
de emoção umas
da razão outras
falam de ti
as tuas palavras
recolho-as no meu dia
onde entraste
porque te convidei
recebo-te nesta casa
onde existir é ser
um copo de água
que o sol queima
acolho-me à sombra
do dizer
sagradas as palavras
onde és

achegar
(armazéns de lavos; achegar; 2017)

no dia 24 de maio de 2018, no âmbito das comemorações do 108.º da biblioteca municipal da figueira da foz, teve lugar na sala de leitura da biblioteca, uma TERTÚLIA sobre O LIVRO, pensada, organizada e promovida pelo figueirense santos silva, que lhe deu o título de “LIVROS INTERPARES”.
moderada pelo presidente da câmara municipal da figueira da foz, a TERTÚLIA foi animada por figueirenses AMANTES DO LIVRO:
antónio tavares – escritor, vencedor do prémio leya 2015
antero urbano – bibliófilo
josé augusto bernardes – director da biblioteca geral da universidade de coimbra
miguel carvalho – alfarrabista com livraria aberta na figueira da foz
apesar de não ter tido a habitual divulgação com que este tipo de eventos é contemplado, a sala de leitura estava completamente cheia, a TERTÚLIA durou mais de duas horas e foi extremamente animada.
parabéns meu caro santos silva pela iniciativa, organização e a possibilidade que nos deste de podermos participar em tão enriquecedora TERTÚLIA.
aos que nos deram os seus contributos de vida – antero urbano, antónio tavares, josé bernardes e miguel carvalho – só resta tirar o chapéu e dizer: vale a pena viver numa terra que vos viu nascer ou onde habitam.
VENHAM MAIS, santos silva, ficamos à espera.
do decorrer da tertúlia fica o registo possível
meditação
tenho inteligência
suficiente
para admirar
a dos outros
no trabalho do homem
no sal do mar
encho-me de mim

o meu amigo paulo formiga a “cumbeirar”
(armazéns de lavos; cumbeirar; 2017)
meditação
não tentes
entender tudo
procura entender-te

(armazéns de lavos; mexer; 2017)
pois
antes de haver ponte
havia o rio e nadei
de todos os caminhos
fiz o meu
de todas as escolhas
fiz as minhas
fizeram-me para que
fizesse
mesmo sem o saberem
como sempre
fiz faço farei

o meu amigo buíça
(armazéns de lavos; achegar; 2017)
eu abri as portas da gaiola
(….eles passarão
eu passarinho
“mário quintana”)
não sei de bancadas
nem de lugar à sombra
gosto de sol e mar
e da força da vagas
ficou vazia a cadeira
que me guardaram
recuso o caminho palavroso
onde não nasceram gestos
cantam de poleiro
aves de arribação
eu abri as portas da gaiola
para voar
é tarde para me cortarem
as asas

o meu amigo paulo formiga
(armazéns de lavos; mexer; 2016)
(…)
ao contrário
do artista
a memória
só concebe
esboços

(armazéns de lavos; rer; 2017)
por vezes dói
habito
o meu tempo
e sou
por vezes dói
recuso-me
a não ser
recuso-me
por vezes dói
eu sou eu
mesmo se
por vezes dói

(armazéns de lavos; enfeitar; 2017)