postais da ria (160)


nem isso

(TABACARIA

Não sou nada. 
Nunca serei nada. 
Não posso querer ser nada. 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
………………. 

Álvaro de Campos)

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sequer os sonhos
apenas estas linhas
perdidas no branco

esta sombra
coisa nenhuma
a esvair-se

ao fundo
muito ao fundo
uma voz

nem isso

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(torreira)

crónicas da xávega (158)


amigos

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a equipa do reçoeiro, da companha do marco, em 2010, quando a manga chegava e era necessário pedir reforço:

da esquerda  para a direita

– joão rodinhas (agora no bacalhau)

–  ana amaral

– alfredo amaral

– miguel biatolra

– nicole (falecido)

a memória é isto, saber-lhes os nomes e vê-los aqui, mesmo quando já não.

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(torreira; companha do marco; 2010)

postais da ria (158)


o meu amigo raul

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como se houvera um caminho
na ria e ele o soubesse
é em direcção ao mar sabemo-lo

parca paga para tão pouco
mesmo se muito
não sustenta família

é no alto mar
que fazem vida os homens daqui

a ria é cada dia mais
para quem espera partir

ou regressou
acabado o tempo
de partir de novo

o caminho raul
é para a barra

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(torreira)

crónicas da xávega (156)


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e vai ao mar

enquanto o novo M. Fátima espera que as burocracias se completem para ir ao mar, aqui fica uma recordação de 2012, do barco agora em descanso.

brava gente esta, a dos homens da xávega. saibam respeitá-los e dar-lhes condições de trabalho.

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momentos de mar

(torreira; companha do marco; 2012)

postais da ria (157)


a magia da ria

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há imagens que nos pregam
ao chão
que nos prendem os olhos

as cores as gentes o céu
o estar ali
deslumbrado com tanto

a ria por vezes é pura magia
como senti no momento em que
não fui capaz de para de disparar
enquanto que pensava

por mais que faça
nunca nada será mais belo
que o estar aqui

assim sintas a ria um dia

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o henrique e o padas safam as redes da solheira, o léo, na bateira do pai assiste

(torreira; o safar das redes)