postais da ria (168)


hoje quero aprender

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o rico enche a ciranda de berbigão e conchas, por entre as barras hão-de cair as conchas e o o berbigão miúdo

 

joeira os dias
ciranda as memórias

escolhe
lembra apenas o que

limpa-te das chagas
sofridas

sorri de lembrares
sorrisos

depois de o fazeres
ensina-me
como conseguiste

hoje quero aprender

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(torreira; junho, 2016)

postais da ria (167)


unem-se na partida

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o nelson arruma as redes, vai para o mar

arrumar as redes
é arrumar os dias

é tempo de partir
de ir ganhar a vida
que na ria se gasta

o arrasto o bacalhau
a pesca do alto

na ria não se faz vida
a desunião desfaz a força

unem-se na partida

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só parte quem ficando não faz vida

(torreira; 2016)

 

os moliceiros têm vela (216)


hoje continuo a ser eu

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o moliceiro “zé rito”

chegar ao mar
dizer bom dia à ria
ver sentir ser

esquecer tudo
viver apenas
o que os olhos

o deslumbramento
é breve

sinto na carne
a faca que me espetaram
e tudo se esvai

soma-se o que oiço
a exploração dos pescadores
o ludíbrio dos moliceiros

a verdade é mais forte
que toda a beleza
e o instante passou

por muito que me doa
hoje continuo a ser eu

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manejam os barcos com a mesma arte com que são manejados

(murtosa; regata do bico; 2009)

crónicas da xávega (165)


hoje estou vivo

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eh! gente do mar. voltei!

estou de regresso
ao mar à ria
a uma certa forma
líquida
de ter casa onde
navegam
amigos muitos

sorrio
porque ainda
ainda estou cá

os dias bebo-os todos
como se os últimos
porque se não repetem

estou vivo, caramba

hoje estou vivo

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estou de volta, ti horácio!

(torreira; companha do marco; 2014)