o beijo primícia carícia guarda ainda o teu sabor o teu nome cravado nos lábios sangra iniciaste um tempo que contigo acabou há quanto tempo o tempo parou
(torreira; regata da ria; 2018)
trago no corpo o sal do verão nos olhos bailes de mar outono dentro de outono continuo virá o oiro semeado nas vinhas que não verei porque longe do mar tudo o que é longe do mar é longe de mim até estas palavras o são cada vez mais

(recriação de um lanço de xávega com bois; torreira; setembro; 2013)
(porque hoje é 11 de setembro, republico) quanto vale um americano? 20 chilenos? 100 árabes? 1000 africanos? quantos vidas vale um dólar? "in god we trust" pobre deus se existes para onde te levaram nada mais que uma moeda de troca por sangue com cheiro a fruta, a petróleo há palavras que são perigosas a verdade quando escrita ainda é mais perigosa há palavras que são a carne de um sonho o esqueleto de uma utopia a coluna vertebral de uma sociedade escrevem-nas diariamente com sangue os povos deste mundo nas paredes da terra para que, se outros mundos houver, se saiba do que aqui se passa
(cais do bico; murtosa; 2013)