tecnologia à moda do porto

bai-te
que eu já
te bi-te

(torreira; regata da ria; 2013)
tecnologia à moda do porto

bai-te
que eu já
te bi-te

(torreira; regata da ria; 2013)
a xávega

o agostinho
o bordão
o saco
o mar
a máquina
eu
o registo
disto
a xávega aqui
um pouco
muito

(torreira; companha do marco; 2013)
hoje sou sonho

quisera-me assim
quase nada
presença ausente
qualquer coisa
entre uma ave
e a música
hoje sou sonho

(torreira; regata das bateiras à vela; s. paio; 2010)
hoje sou palavras

escrevo amigos
e a palavra
tem gente dentro
gente que não conheço
me abraça e abraço
com palavras
dizê-los escrevendo-me
sentirem-se ao ler-me
é sonhar ser mais
hoje sou palavras

(torreira; regata do s. paio; 2014)
hoje sou memória

o M. Fátima
pesam em mim gerações
que desconheço
enterrados na memória
comum de um povo
os meus maiores
entre mim e eles o ser eu
a continuação
existo por que existiram
isso lhes devo
quisera soubessem que
os lembro
porque continuam em mim
hoje sou memória

na areia um barco só pode morrer ou descansar
(praia da torreira; 2013)
hoje sou nuvem

sei que desconhecido
é o amanhã
todos os dias podem ser
tudo
e isso é existir
sei que o fim
é o fim
do desconhecido
por isso hoje
é sempre e eu
hoje sou nuvem

(torreira)
hoje quero ser vela

a ilusão é estarem juntos
porque deviam
a realidade é a ilusão
ser só isso
contenta-te com o que vês
e sê feliz
se as velas fossem asas
haveria quem as quisesse
roubar
mas são apenas asas
não servem para voar
hoje quero ser vela

(torreira; regata da ria: 2010)
quero ser barco

estátua nome de rua
jardim praça medalha
não as quero
sequer as mereço
nada fica
de quem a tudo se deu
se me disserem de pedra
acreditem
tudo o que de mim digam
é verdade ou foi
estou cansado velho
gasto desconjuntado
no tempo que me falta
quero ser barco

(torreira; coampanha do marco; 2014)
espero

espero
as palavras sensatas
a resposta
cordata e pensada
reconhecidos
o erro a falta
espero
a justa paga porque
prometida
e como tal devida
a quem por ela fez
mais do que
quem dela sem saber fala
espero
mais que tudo
e como sempre
que os homens sejam
a palavra dada
convertida
no pagamento devido
só isso
sou as águas calmas
da ria
mas também as vagas
quase de mar
quando do norte
o vento forte
em rajadas
espero
mas não muito

(torreira; regata do s. paio; 2012)
o arribar

depois de presos os ganchos nos arganéis da proa – arribar de proa – é preciso correr para fugir ao perigo, não só porque pode haver um movimento lateral do barco, mas também porque o tractor começa de imediato a puxá-lo para terra.
é um momento perigoso para todos.

(torreira; companha do marco; 2013)