torreira
regata da ria 2015 – paguem o que devem aos moliceiros
os moliceiros têm vela (206)

o “marco silva” e o ” zé rito”
regata da ria 2015 – paguem aos moliceiros!
quase um ano depois, a regata realizou-se nos dias 27 e 28 de junho, os participantes na regata ainda não receberam os prémios de classificação, tradição e painéis – estamos a falar de um valor global de 2.400 euros a distribuir, uma fortuna!!!!!!!!!!! mas que faz muito falta aos donos dos barcos que concorreram e que, tudo somado, não chega para os gastos.
para participarem na regata, os donos dos moliceiros tiveram de reparar e pintar barcos e painéis – uma despesa média de 1.500 euros por barco.
a organização da regata e pagamento dos prémios foi da responsabilidade da “Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro” e publicitada como atracção principal daquilo a que chamaram “Aveiro Weekend”.
(vejam por favor e leiam)
atendendo ao historial dos atrasos dos pagamentos por parte dos organizadores, a câmara municipal da murtosa, pela boca do seu presidente, comprometeu-se a pagar os prémios, caso houvesse atrasos. é facto que o prémio de presença foi pago antes da regata do s. paio, princípios de setembro, quando a regata da ria tinha já sido em final de junho. quem pagou não se sabe.
repito: os prémios de classificação, de painéis e tradição, quase um ano depois, continuam por pagar.
E VIVAM OS MOLICEIROS E O AVEIRO WEEKEND
assim vamos pela ria de aveiro, a tal que se celebra pelos moliceiros mas a quem os responsáveis não pagam.
é tão bom “botar” figura com o dinheiro dos outros.
para 2016 já há programa http://www.cm-ilhavo.pt/frontoffice/pages/2056?event_id=2084
PARTILHEM A BEM DA NOSSA TERRA, DA RIA DE AVEIRO E DOS MOLICEIROS.
(ria de aveiro; regata da ria; 2015)

quando o “marco silva” começou a ganhar “terreno”, para terminar em primeiro
o “marco silva” e o “zé rito” em recachia. no final acabou por ganhar o “marco silva”
crónicas da xávega (155)

depois da apanha a escolha
já cheira a mar

o segredo da escolha está nas mãos e nos olhos
o delmar viola escolhe o carapau de acordo com o tamanho
(torreira; companha do marco; 2014)
postais da ria (156)
abril vinte e cinco e os cravos

dos cravos não consta
que espinhos
não os temas por isso
não tos vi hoje na lapela
e admiro-te
na sinceridade de os não
teres posto
aí onde estás lustroso
sorridente
aos cravos o deves
ou será que aí estarias
mesmo sem eles
sem democracia?
nunca se sabe

(ria de aveiro; torreira)
os moliceiros têm vela (205)
abril vinte e quatro

abril vinte e quatro
mil nove setenta e quatro
não sabíamos de amanhã
do amanhã que hoje
sabemos que ia ser
recordo os mortos nas
guerras criminosas no
silêncio das prisões às
mãos sádicas de não homens
que vimos condecorados
para nossa vergonha
depois de
abril vinte e cinco
quarenta e dois anos depois
é amanhã e podemos sair
à rua e por sermos mais de dois
não seremos presos

(torreira; regata do s. paio; 2012)
crónicas da xávega (154)
dar voz a quem

saco seco, sacudido, para cima da zorra
a fotografia aos fotógrafos
a poesia aos poetas
nada mais vos quero deixar
que a memória das gentes
as palavras do que sinto
sou ou tento ser
tenho a noção
do quão pouco valho
mas não seja por isso
que nada faça
como esta gente carrega
as redes que ao mar se hão-de fazer
também eu dou o que tenho
sabendo que mesmo pouco
falta fará que seja feito
leio vejo escuto
com nada fico
se tenho dou reparto
migalhas sejam
como estas
pão à mesa de quem
não tem voz

a companha são todos
(torreira; companha do marco; 2015)
postais da ria (155)
estar vivo é perigoso

olhar para dentro de tudo
só te saberás
se tentares ser mais
o mais desculpas serão
para seres o de sempre
o do sofá da sala
do pão certo à hora certa
sobrevivente de ti
estou cansado até
ao mais fundo de mim
doo-me de tanto
estar vivo é perigoso

fotografar é sentir com os olhos
(torreira; s. paio; 2014)
postais da ria (154)
rapar a ria

com um balde e um pequeno ancinho, na maré vazia, nos cabeços em seco ou com pouca água a cobri-los, apanhava-se a amêijoa japónica, o berbigão.
ao longe, nada mais vês que um casal que parece passear por sobre as águas, povoando o silêncio com as suas vozes, que não ouves mas imaginas
uma paisagem belíssima, um lugar onde o silêncio se ouve e os olhos se limpam da sujidade urbana.
ajoelham-se, pousam o balde, pegam no ancinho e começam a “rapar” a lama da ria. dirias como se batatas, mas aqui, na lama, são amêijoas que colhem.
horas seguidas, tantas quantas a maré permita, que o corpo, esse terá de aguentar.
sobreviver aqui é sobre-utilizar o corpo, desgastá-lo, moê-lo, consumi-lo.
e tudo em silêncio vai pingando para os bolsos dos mesmos, dos que não estão na fotografia.
a japónica deu de comer a muita gente durante dois anos depois, num inverno mais longo e chuvoso, as águas adocicaram e morreu. dela pouco ou nada resta.
os homens e as mulheres, continuam a caminhar e a rapar a ria, são menos, a colheita é pobre, vivem do que a ria ainda dá.

(torreira; 2012)
crónicas da xávega (152)

o stalone, o horácio, o calão, a mão de de barca, a manga
ao fundo virá o saco
no fundo do saco, talvez peixe
se peixe houver, que peixe será
se for do vendável, a como o comprarão, se é que o comprarão
é peixe fresco, é peixe do mar, é suor desta gente
quem o come, come ouro, mas alguns ainda o querem dado. estão de férias e esquecem-se que só o estão, porque lhes pagaram o ano inteiro.
quando aqui chegares traz mais
que uma máquina
um fato de banho
um desejo de sol e mar
traz o entendimento
que esse
nunca o deixes ir de férias

(torreira; companha do marco; 2013)
postais da ria (153)

joão manuel brandão
a arte da cabrita alta

(torreira; 2012)