o poema da ria

avô e neto
o mestre zé rito
e o zé pedro
este é o poema da ria

(torreira; regata da ria; 2011)
o poema da ria

avô e neto
o mestre zé rito
e o zé pedro
este é o poema da ria

(torreira; regata da ria; 2011)
crescer com a xávega

não são ontem nem amanhã
são agora
começam quando querem
trazem o sal no sangue
e são de mar os seus dias
desde que se lembram
o que para uns é trabalho
para eles brincadeira
sentem-se mais um entre
pai mãe amigos
não há trabalho infantil
na xávega
há prazer desde pequeno

(torreira; companha do marco; 2013)
o drama

ínfimos somos
o tempo não existe
tu sim
a distância não existe
tu sim
esse o drama

tão pouco somos
(torreira; porto de abrigo)
partir

sentir com os olhos
ser o olhar
nada mais que isso
depois
como sempre
partir
que futuro aqui?

(torreira; regata s. paio; 2014)
para o meu amigo joão rodinhas

bem vindo às terras do sol
onde o pão parco
nascer na torreira é ser mestre
de todos os mares
senhor de saberes herdados
caminhos por fazer
parte-se para regressar
à ria ao sol e ao mar
até quando joão?

(torreira; companha do marco; 2009)
joão manuel brandão (3)

sofridas letras
esculpidas na carne
escritas no rosto
saber os caminhos
do suor ao oiro
da dor à fortuna
é uma outra ria
onde é sempre
maré vazia
cheia de lamas
apodrecidas
depositadas
nas margens
este é o postal
que não encontrarás
no sítio habitual

(torreira; cabrita alta; 2012)
resistir

o ti américo na manga do reçoeiro, no alador
a manga no alador
corre
o fim do lanço quase
os anos pesam
mais a rede
mais a necessidade
a língua espreita
o esforço
as ganas de continuar
um homem não é
uma máquina
resiste resiste resiste
está vivo muito

conhaque é conhaque, serviço é serviço
(torreira; companha do marco; 2015)
joão manuel brandão (2)

o rosto
a arte
a ria
o pão
sofrido

(torreira; cabrita ata;2012)
moliceiro

mais belo não há
que dentro dele vibra
um coração gentio
que mesmo de longe
enche as velas
só para ser de novo
assim o sentissem
os que cegos
nada mais vêem
senão tachos e euros

(torreira; regata da ria; 2010)

não sei de regressos
sei de chegadas
de partidas
esperar é destino
de quem em terra
chegam os outros
os que partiram
todo o homem
é uma viagem
chega para partir

(torreira; companha do marco; 2015)