os moliceiros têm vela (293)


ao tempo

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o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço

quando for com o vento
ficarão palavras e imagens
sonhos ilusões muitas

ilusões muitas

eu quase todo sem ser já
sussurros de água
na boca de um barco morto

os gestos o ter feito
o que me fizeram
deixo ao tempo o juízo

ao tempo
que outro deus
não conheço

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o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço

(torreira; regata da ria; 2014)

mãos de mar (41)


dos capatazes

falam como se
donos fossem do que
lhes não pertence
porque nosso

não têm senão
a ilusão de um poder
efémero delegado

calçam sapatos luva
que nas mãos
melhor lhes ficariam

existem porque são
mandados para mandar

nada me custa
por esse mesmo motivo
mandá-los

sabem bem onde

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mãos de mar, de trabalho, estas

 

2018 na ti rosa


2018 na ti rosa

000 ahcravo_ DSC_1165 s bw_rosa de avanca

ti rosa de avanca

há quem encha
os olhos de mar
e por isso exista

há quem traga
o mar nos olhos
e isso lhe baste
é a ti rosa

sento-me num banco
encontro amigos
trocam-se cervejas
uma garrafa de água
não me esqueço de ti massa
voam conversas jornais
cartas e dominó

na ti rosa
há mar em terra
e uma figueira

na ti rosa em 2018
tá combinado

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ti rosa de avanca

(torreira; à porta da ti rosa de avanca)