postais da ria (239)


aos homens e mulheres da ria

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cirandar e escolher

existem homens
que fazem barcos
como se filhos

existem homens
que os encomendam
fazem neles vida

existem mulheres
camaradas dos homens
na faina dos barcos

homens e mulheres
sempre
mulheres e homens

os barcos só
não existiriam

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(torreira; cirandar; 2016)

crónicas da xávega (230)


para o joaquim rodrigues
(massa)

queria dizer-te
que te admiro
massa

não porque cantes
melhor que o zé cabra
pior é difícil
tu nasceste para cantar

não porque a trabalhar
o faças como poucos
és energia pura

não pela tua alegria
os teus malabarismos
com o bordão na praia
és um artista nato

admiro-te
pela tua força interior
pelo modo como venceste
onde tantos sucumbem

tu és enorme massa
da tua fibra muitos
houvessem

massa assim é outra massa

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(torreira; arribar da mão de barca; 2012)

postais da ria (238)


cipriano

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cipriano brandão e a esposa aurora (2012)

estás aqui
mesmo que não estejas
em mais nenhum lugar
estás aqui

olhar o rosto de um amigo
é lembrar estórias
é estarmos vivos
num mundo que é só nosso

o da memória comum

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cipriano brandão e a esposa aurora (2012)

(torreira; safar redes; 2012)

os moliceiros têm vela (294)


o homem da beira-ria

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tão pouco uma palavra
e tanto nela se não dita
se negada depois de dada

aqui os homens
têm o tamanho da sua palavra

negá-la é negarem-se
o homem da beira-ria
é homem de palavra

ou ave de arribação

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(torreira; regata da ria; 2010)

postais da ria (237)


dos amigos  e não só

cuida dos amigos de hoje
deixa que seja o amanhã
a deles fazer juízo certo

para alguns
amanhã foi ontem
são eles

que fazem os dias
mais tristes

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a safar redes – mulher da torreira, onde a a vida não dá para camaradas

(torreira; porto de abrigo; 2013)