postais da ria (212)


poderia

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ciranda de dois ( ou será de casal?)

poderia escrever
os nomes dos barcos
dos homens das mulheres
dos ganhos das perdas
das artes das artimanhas
da compra da venda
dos contratos doutros tratos

poderia

mas deixo para ti
esse caminho doloroso
que já percorri

também tu
deves aprender
como se vive por aqui

(torreira; cirandar; 2016)

os moliceiros têm vela (262)


há eleições? repara-se o moliceiro!

“notícia é quando um homem morde num cão, e não o contrário”

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o moliceiro da câmara da murtosa com duas velas

haverá alguns dias aparecia na página do facebook do município da murtosa, uma publicação com o seguinte título “BARCO MOLICEIRO DA CÂMARA DA MURTOSA EM MANUTENÇÃO NO ESTALEIRO DA PRAIA DO MONTE BRANCO” -https://www.facebook.com/municipiodamurtosa/posts/1349085255169813:0. amigos houve que partilharam esta publicação como se de algo extraordinário fosse …

e não é que é mesmo! é que não se percebe porque é que aquilo que todos os moliceiros resistentes fazem nesta época do ano, reparação e manutenção – aproximam-se as regatas –, há-de ser notícia? será por ser o moliceiro da câmara municipal? só se for.

no entanto é capaz de ser mesmo notícia relevante, será que não houve reparações desde 2013? se houve, desculpem mas não dei por ela, nem foi objecto de qualquer publicação na mesma página….

(um amigo segreda-me: você fala porque não vive cá…..)

recordo agora que em 2013 fiz no meu blog, e no facebook, uma publicação sobre uma situação análoga, então com publicação em jornal – ainda não havia página no facebook. vejam o que se passava, leiam:

Murtosa: Moliceiro da Autarquia alvo de manutenção

coincidências! 2013 e 2017 são anos de eleições autárquicas. não é que na murtosa esteja em causa a mudança de executivo, mas sempre são eleições e eu, neste caso e a bem do moliceiro municipal, começo a pensar que devia de haver eleições todos os anos.

lembro-me de em 2012 não ter havido regata da ria por falta de fundos, de se ter feito uma manifestação, da torreira a aveiro, com alguns moliceiros, de caras tapadas com plástico preto, bandeira preta e um cartaz a dizer “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”.

em 2013 fez-se a regata e o candidato à câmara de aveiro, ribau esteves, até veio à torreira dar a partida. coincidência?

(o amigo insiste: você fala porque não vive cá…..)

quanto a outros parágrafos da publicação, que davam pano para mangas, quero só tocar no que mais me interessa, o apoio aos donos dos moliceiros resistentes. escreve-se, e transcrevo, “ No último ano, os prémios atribuídos pela autarquia ascenderam, na globalidade, a mais de 10.000 euros”. tanto dinheiro! quanto é que dá por barco? chega para garantir os custos de reparação e pintura, sem falar já nos de manutenção? (nunca menos de 1.500 euros, pelo que me dizem) mas o valor desta reparação e pintura do moliceiro municipal deve servir de indicador e ajudar a ver quanto custa.

(algures em pardelhas há um homem que deixa a porta e, no sossego do escritório, começa escrever: este turista que vem de coimbra tirar umas fotos a correr pela praia …)

encontramo-nos na primeira regata, a da ria.

(nota: no que diz respeito ao museu estaleiro do monte branco – é assim que é designado na página da autarquia – já me pronunciei em tempo sobre ele https://ahcravo.com/2015/01/31/cada-cavadela-cada-minhoca/)

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e terminará em quarto lugar

(regata da ria; 2014)

postais da ria (211)


mesmo se longe

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o salvador belo e a ciranda de um

mais que os barcos
mais que a ria
mais que a beleza
que em tudo respira

os homens as mulheres
os que vivem os dias
sem saber de horas
férias feriados

que só sabem
de encomendas
de interdições
de marés
do que por vezes
não sabem por quanto

falo dos meus amigos
e do respeito
que por eles tenho

mesmo se longe

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é duro, é muito duro

(torreira; cirandar)

versos que riem


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no dia 24 de de abril de 2017, no auditório da biblioteca municipal da figueira da foz, sala cheia de alunos do ensino básico, joão pedro mésseder e ana biscaia apresentaram o seu novo trabalho conjunto: “versos que riem”.
da escrita e da ilustração à comunicação, tudo resultou muito bem,  como pode ser visto no registo vídeo que fiz desses momentos e que, certamente vai deliciar e juntar gerações: o prazer da leitura não tem idade.
João Pedro Mésseder (nome literário de José António Gomes) nasceu em 1957, no século XX , Porto, foi Professor Coordenador da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto, tendo-se doutorado em Literatura Portuguesa do século XX(século vinte) pela Universidade Nova de Lisboa e publicado diversos estudos nos âmbitos da História e da Crítica Literárias (Literatura Portuguesa Contemporânea e Literatura para a Infância e a Juventude), além de várias antologias. Nesta qualidade, fundou e dirige a revista Malasartes – Cadernos de Literatura para a Infância e a Juventude (Porto Editora).
Textos seus têm sido utilizados em espetáculos teatrais de grupos como Andante, Sopa de Letras, Renascer, teatromosca, Gisela Cañamero / arte pública e TIN.BRA – Teatro Infantil de Braga. Criou o texto principal para o espetáculo Lenheiras de Cuca-Macuca (2008) do Teatro e Mrágora, com encenação de José Caldas. Vários dos seus poemas e outros textos foram musicados, interpretados e gravados pelo Bando dos Gambozinos, sob a direcção musical de Suzana Ralha, tendo Romance do 25 de Abril sido integralmente musicado por Pedro Moura e apresentado, sob a forma de opereta infantil, num espectáculo realizado na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, em 25 de Abril de 2007. Em 2010, por encomenda da Rádio e Televisão de Portugal, escreveu o conto Comédia italiana, a partir do quadro, com o mesmo título, de Columbano. Com base em ambos foi realizado um filme de animação.
A sua obra conta com várias dezenas de títulos editados e que foram motivo de estudos e de recessões críticas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Pedro_M%C3%A9sseder
Ana Biscaia

Ilustradora e designer gráfica. Licenciou-se em Design de Comunicação na Universidade de Aveiro e fez o mestrado em Ilustração na Konstfack University College of Arts, Crafts and Design, em Estocolmo. Trabalha para editoras portuguesas e suecas.

Em 2010, as ilustrações do livro Poesia de Camões para todos receberam um destaque do júri do Prémio Nacional de Ilustração. O seu trabalho para o livro O Carnaval dos animais foi também selecionado pelo júri do prémio TITAN Illustration in Design.

Em 2013, Ana Biscaia ganhou o Prémio Nacional de Ilustração, pelo conjunto de ilustrações publicadas na obra A cadeira que queria ser sofá.