
tudo cabe na memória
até o esquecimento

(regata de bateiras à vela; s. paio, 2014)

tudo cabe na memória
até o esquecimento

(regata de bateiras à vela; s. paio, 2014)
na janela o rosto

dois olhares, um rosto
a viagem
não é estar
é ser
o rosto na janela

olhaste e não viste que te olhava
(no comboio entre coimbra e figueira, 12 jan 2017)
das mãos

há dias assim, pena não serem todos
com as mãos digo o teu nome
caminho pelas palavras
por onde houver que
dou e tiro
sou as minhas mãos
lê-as para me saber

rer
salgar o olhar
e dar-lhe o sabor
destes momentos

rer
(morraceira; 2016)
porque hoje, no brasil, é dia
nacional da fotografia e do fotógrafo

o A. Rendeiro, com o ti zé rebeço ao leme e o manuel antão
para que se lembrem
ou acordem
os que podem querem e mandam
mas parece não saberem
que este pode ser
um dos motores do turismo temático
da ria
onde de novo
produzirá riqueza
assim o queiram
assim o saibam
assim o não ignorem
maltratem ou dele descuidem
para mim é dele o dia

(torreira; regata do s. paio; 2014)
palavras amarradas

quase ternura
está cheio o baú
de palavras por dizer
o silêncio são palavras
amarradas
(torreira; 2014)
saberes de sal

mãe e filho
a mesma arte
saberes dados
herdados
cultivados
saberes de sal
(morraceira; 2016)
às gentes da xávega

haja peixe certo no tempo certo
que 2017 traga às redes
o peixe o carapau a sardinha
que negou em 2016
no tempo certo
que nem todo o tempo o é
isso aprendi
por isso o desejo
a todos os que da xávega
fazeis vida
que os que ainda não vos respeitam
aprendam em 2017
que quando deixardes de ser
a sua terra perderá
muito mais de si
do que uma simples arte de pesca
perderá o futuro
porque deixou morrer
o passado
(torreira; 2015)
notas de um retirante
enguias, onde?

a receita “caldeirada de enguias à murtoseira”, tem imagem de marca e é única.
a receita, entenda-se.
agora fica a pergunta: ainda há enguias na ria? ainda há quem possa fazer vida da apanha de enguias? as enguais ainda são uma riqueza da ria?
em tempos de haver moliço e a ria ser a de eu me lembrar, apanhava-se enguia à certela, à fisga, ao candeio, à chincha, com galrichos ……
apanhava-se porque havia. e agora?
a companha do manel trabalhito, pai, apanhava-as à chincha de pareja, o filho continuou, não sei se ainda continua. o henrique “orelhas” continua com a chincha de pareja. na torreira são os que conheço.
haverá talvez 2 pescadores, poucos mais, que apanham algumas enguias com galrichos, mas com bateiras atracadas no lado da serra: bestida, murtosa, bunheiro ……
as enguias que se comem no concelho e nos festivais gastronómicos; as que a comur conserva e vende; as que a maior parte dos restaurantes serve…. todas essas, de onde vêm?
há enguias na ria? há, sim senhor. mas há quantos anos não chegam para as encomendas?
neste galricho vão 2, nos galrichos todos foram para aí 3 ou 4 – em 2012, com o armando bastos (piço) e o emanuel (rico).
não adianta esconder o sol com a peneira. fazem-se boas caldeiradas nos restaurantes do concelho da murtosa, mas em quantos se comem enguias da ria e quantas vezes?
vale a pena procurar e perguntar e só depois escrever.
(2012)

pudessem as mãos
chorar
seriam delas as lágrimas
também