o desempenho do blog, visto pelo wordpress
interessante o suficiente para guardar e analisar
https://ahcravo.com/2015/annual-report/
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o mar e eu

o ti américo e o massa, ao fundo
olho o mar e penso
aqueles que te não conhecem
se te soubessem
fico assim dentro de mim
a inventar ondas gaivotas
um barco e os meus amigos
o mar é uma casa imensa

homens de mar
(torreira; companha do marco; 2011)
dos mestres
na precisão do gesto
a mão o instrumento
o mestre
saberes herdados
na escrita dos dias
trabalhados
vai-se o mestre
fica a obra
diziam
já pouca obra
enquanto nenhuma
digo
é este o meu tempo
(torreira; 2015)

mestre firmino tavares a trabalhar com o formão na construção do moliceiro marco silva
ser mestre, não é só o que hoje se diz dos que obtiveram numa universidade esse grau, é coisa muito mais antiga. de saberes de artes e ofícios, de aprendizagens de anos, de carreiras feitas sob a orientação de um “mestre”, até se atingir a qualidade e a perfeição de execução que aos mestres são exigíveis.
não é tradição dos países do sul da europa este tipo de formação e aquisição de saberes e títulos, que remontam à idade média, mas que se continuam a utilizar em muitos países europeus, começando na frança, o país mais a sul. as antigas escolas industriais preenchiam, entre nós, esta função e nelas se formavam operários especializados que recebiam ensinamentos práticos dos “mestres de oficina”.
enfim, toda uma conversa que haveria/haverá que fazer sobre este tema, mas o que agora e aqui importa é ouver “mestre” firmino tavares, último de uma família de mestres construtores navais de pardilhó, e aprender com ele o como foi, o prazer de ter sido e de ensinar a fazer, fazendo.
falar com o mestre são lições de vida que não me canso de receber. espero que depois de ouvir este breve apontamento, sem pretensões, fiquem mais ricos, como eu fiquei
quentes e …. (4)

modernidade e tradição, a convivência
comprei um papagaio
veio com um poleiro
e comida bastante
pu-lo na varanda
é o dono da terra

se quisermos é um cenário sempre possível
(torreira; regata da ria; 2010)
ao pescador da torreira

reparar as redes da solheira
far-te-ás no tempo
desfazendo o que de ti
fizeram
afirmar-te-ás negando
que todo o fim
é negação de início
seres tu é tarefa
em que não podes estar só
a companhia surgirá quando
de velhas companhias livre fores
és mestre do incerto
senhor do saber esperar
por isso te digo
não
não tens o que mereces
nem ninguém te oferecerá
o teu futuro

as horas que fazem o dia são poucas
(torreira, porto de abrigo dos pescadores)
prefiro a carne ao peixe

a compnha espera
aqui longe sei que
é esta a gente que se ajoelha
perante um deus invisível
e não se curva diante do mar
a névoa cobriu tudo e adivinhar
o mar não é arte é loucura
nestes momentos oiço-os dizer
prefiro a carne ao peixe

como se inverno em agosto
(torreira; companha do marco; 2014)
quentes e ….. (2)

a escoar água da bateira
foi um homem são
que escreveu o elogio da loucura
mas só um louco
pode escrever o elogio da sanidade

a ria dentro e fora
(ria de aveiro, torreira)

há questões que não são de direita, nem de esquerda, são apenas de bom senso e entendimento.
tudo passa pela sua explicação simples e completa, por alguém a quem elas não são estranhas, porque as estudaram e analisaram com todos os dados que, raramente, são do conhecimento público – nosso.
o livro “Desobedecer à União Europeia” da autoria de josé manuel pureza, apresentado pelo editor, antónio luís catarino, comentado pelo professor doutor jorge bateira, faculdade de economia da universidade de coimbra, e uma síntese pelo autor, permite-nos, depois de uma audição atenta e descomprometida, dos 3 clips que se seguem, entender muito do que anda por aí desentendido.
clip 1 – apresentação do editor e primeira parte do comentário
clip 2 – conclusão do comentário do professor jorge bateira
clip 3 – síntese do autor
da vertigem

entre a partida
e o regresso
a vertigem
da viagem

(ria de aveiro; regata da ria; 2013)
o insuportável peso da luz
o que nos separa é o essencial
isso só se torna evidente se
sobre o branco inscrevermos
o traço exacto das fronteiras
onde os desejos se dividem
fundamental reduzir o acessório
à sua verdadeira dimensão
dispensável
a luz tudo atravessa para se
fazer dia
(torreira; regata do s.paio; 2010)