o moliceiro

a água quebra
a rocha
o vento dobra
o ferro
o homem escreve
um sonho
palavras com vela
por sobre as águas
levadas pelo vento
o moliceiro

(murtosa; regata do bico; 2012)

o moliceiro

a água quebra
a rocha
o vento dobra
o ferro
o homem escreve
um sonho
palavras com vela
por sobre as águas
levadas pelo vento
o moliceiro

(murtosa; regata do bico; 2012)

do escrever

esqueci-me do que
me esqueci
escrever o esquecido
é o como destas palavras
pergunto-me se o quê
também

(torreira; regata da ria; 2013)

o homem da beira-ria

tão pouco uma palavra
e tanto nela se não dita
se negada depois de dada
aqui os homens
têm o tamanho da sua palavra
negá-la é negarem-se
o homem da beira-ria
é homem de palavra
ou ave de arribação

(torreira; regata da ria; 2010)
ao tempo

o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço
quando for com o vento
ficarão palavras e imagens
sonhos ilusões muitas
ilusões muitas
eu quase todo sem ser já
sussurros de água
na boca de um barco morto
os gestos o ter feito
o que me fizeram
deixo ao tempo o juízo
ao tempo
que outro deus
não conheço

o moliceiro “A. Rendeiro” do ti zé rebeço
(torreira; regata da ria; 2014)
cigarra que canta a formiga

o ti abílio traz o moliceiro, à vara, desde o cais até ao local de partida
escrevo o que sinto
sou as minhas palavras
cigarra que canta a formiga
faz do inverno verão

(murtosa; cais do bico; 2016)
o sonho é bandeira

será sempre o sonho
que construirá a realidade
é esta a bandeira do ano
por ela estamos aqui
sonhemos então

(torreira; regata s. paio; 2010)
essencial o homem

o moliceiro “Dos Netos”
por sobre o espelho
da ria o moliceiro
desliza à força da vara
em dias sem vento
ou de passagem de modelos
de nada serve a vela
fica o mastro a falar dela
essencial o homem
é a força de ser ainda o barco
a bandeira erguida
de uma terra que se busca
num tempo onde ainda não se sabe
se perdida por falta de raízes
numa suposta ria encanada
na cidade
há uns barcos que se fazem
passar por
essencial o homem
desmente-os

o moliceiro “Dos Netos”
(torreira; regata do s. paio; 2010)
ilusão

só se perde
o que nunca se teve

(s. salvador; regata do bico; 2016)
moliceiro

o tempo os homens as artes
memória
a árvore legada raiz
bandeira
um barco um nome
a terra
numa só palavra tanto
moliceiro
onde não há cultura não há
futuro
um sonho pode morrer assim

(torreira; s. paio; 2017)
a matemática da vida
(para o ti manel valas)

o moliceiro “manuel silva” do ti manel valas que, com o o zé pedro a timoneiro, ficou em 2º lugar
somar tudo
estar vivo é isso
a matemática
é simples
ao final da soma
chamam total
e subtraem-te

o moliceiro “manuel silva” do ti manel valas que, com o o zé pedro a timoneiro, ficou em 2º lugar
(regata da ria; 2013)