construção de um moliceiro (1)


9 de agosto

depois de ter passado 3 a 6 meses mergulhado na água salgada da ria, foi dada ao bordo a forma definitiva, de acordo com o molde do mestre, e aplicado ao costado.

hoje foi o bordo de estibordo.

na hora da aplicação parece que os amigos se multiplicaram e foram muitos os que apareceram para ajudar.

do nuno setenove ao ti alfredo, nos extremos do registo, houve gente da terra, de fora, emigrantes ou simples curiosos, que deram a mão.

a celebração do moliceiro, enquanto objecto de solidariedade e de amor pela terra, começa na sua construção.

(torreira; 9 de agosto de 2016)

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8 de agosto

depois de marcado no costado o posicionamento do bordo, de acordo com o molde de bordos, faz-se a aplicação do bordo.

pela dimensão, pela espessura, pelo afeiçoamento que é necessário fazer, é uma tarefa delicada e que, ao mesmo tempo, exige muita força e saber.

qualquer procedimentos menos adequado pode levar ao quebrar do bordo e a um prejuízo enorme.

antes de começar a aplicação do bordo, o mestre zé rito, parou por uns momentos e disse:

” como dizia o mestre henrique lavoura, antes de aplicar um bordo é preciso descansar um bocado”.

QUER É CALMA

todos os presentes ajudaram, até um turista francês que começou por fotografar, acabou por dar a sua mão – é o segundo na fila a contar da direita.

(torreira, 8 de agosto de 2016)

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6 de agosto
depois de feitas as marcações na tábua do casco, o mestre zé rito aplica sobre ela o molde dos “bordos”, seguindo a parte superior do molde é feita a marcação do bordo.

em seguida é feito o corte da tábua para aplicação dos bordos.

(torreira; 6 de agosto de 2016)

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5 de agosto

o folhear da proa

hoje para além do começar da “coxia”, continuou-se o folheamento do costado.

neste registo vemos o mestre zé rito a fixar a tábua de costado, apertada pelos grampos e pressionada por mãos amigas: havia-as da torreira, de estarreja … de amigos.

a construção de um moliceiro é uma celebração.

(torreira; 5 de agosto de 2016)

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3 de agosto (cont.)

apertando os grampos, o mestre zé rito força o arqueamento das tábuas que formam os costados do barco – é o folheamento de que já falei.

por cima desta serão colocados os “bordos”.

(torreira; 3 de agosto de 2016)

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os moliceiros têm vela (228)


ao meu funeral
(que não vai haver)

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o “Doroteia Verónica”

irão

alguns
para se despedirem

outros
por ser conveniente

muitos
para confirmarem que

o preto é uma cor
sempre na moda
emagrece e fica bem

e depois
roupa preta
quem a não tem?

EU!

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mais um moliceiro que teve de ser vendido e anda amputado pelos canais de aveiro

(murtosa; regata do bico; 2009)

os moliceiros têm vela (227)


NÃO DEIXEM MORRER OS MOLICEIROS!

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momentos finais da regata da ria 2016.

os 3 primeiros estão definidos: em primeiro lugar o “Zé Rito”, em segundo o “A. Rendeiro” – por dentro – e em terceiro o “Marco Silva” – por fora.

até ao fim sempre juntos e com pouca diferença.

houve regata, sim, houve competição, sim. os moliceiros mostraram o que valem e como podem dar vida à ria.

NÃO DEIXEM MORRER OS MOLICEIROS!

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(regata da ria 2016)

olhei e não vi


olhei e não vi

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olhei e não vi o barco
vi o esqueleto
a madeira

olhei e não vi o estaleiro
vi a areia o sol em brasa
o mestre as ferramentas
o suor no rosto

olhei e não vi nada
não posso ver

olhei só
e lembrei-me de ter visto
o mestre há alguns anos
no estaleiro à beira porta
a fazer o mesmo
construir um moliceiro
mas à sombra de uma rede
a dele

quanto mais olho
menos quero ver

asneira sobre asneira
se constroem os dias
se destrói o sonho
se enterra a memória

não escrevo para que gostem
registo para que se interroguem
passo e não vejo mas olho
e não resisto

até estar de férias aqui
começa a ser complicado
ser cego dói ver dói mais

todo o absurdo aqui é real

(torreira; 18 de julho de 2016)

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o mestre zé rito constrói mais um moliceiro, agora para o zé rebelo. ao lado ” ….O Museu-Estaleiro da Praia do Monte Branco, propriedade da Câmara Municipal da Murtosa,….”

regata da ria 2016 (conclusão)


obrigado ti abílio, obrigado reinaldo

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o moliceiro “Dos Netos” do ti abílio carteirista

com este apontamento, encerro o ciclo dedicado a algumas meditações sobre as regatas da ria em geral e da de 2016, com maior detalhe.

haja futuro para os moliceiros.

não podia deixar de abraçar aqui um moliceiro em particular: o meu amigo ti abílio carteirista, decano da regata – fará 80 anos este ano e está aí para as curvas.

depois de receber, como todos os moliceiros que participaram na regata, a medalha a que tinha direito, o ti abílio veio direito a mim – eu não tinha almoçado com eles – e ofereceu-me a medalha que era dele. de imediato o reinaldo belo, que conheci nesta regata, me ofereceu a dele também.

tudo decorreu sem espaventos, com simples troca de abraços entre amigos.

mas quero dizer-lhe, ti abílio, e a si também, reinaldo belo, que não tenho palavras para o vosso gesto.

por mais distinções que tenha tido ao longo da vida, nenhuma é maior e mais valiosa que estas ENORMES medalhas que guardarei comigo.

bem hajam os dois

em agosto, no bico, lá estaremos

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na regata são permitidos 3 tripulantes por barco, ao ti abílio, a fazer 80 anos, basto ele e mais um

(ria de aveiro; regata da ria; 2016)

regata da ria 2016 (9)


pensar o futuro apoiando os moliceiros

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nas velas dos moliceiros a memória de um povo

como já escrevi em publicação anterior, dos cerca de 17.000 euros que anualmente a comunidade intermunicipal da região de aveiro (CIRA) afecta à realização da regata da ria, por vezes nem 50% chega às mãos dos moliceiros – fica na organização.

não questiono porque é que a câmara municipal da murtosa pode organizar duas regatas por ano, sem precisar da intermediação de uma organização, seja de que tipo for, e a CIRA não o pode fazer; não questiono porque é que não o podendo fazer, não delega a sua organização na câmara da murtosa, que tem experiência suficiente nesta área.

não questionando nada disto e pensando somente na boa gestão do dinheiro de todos nós e na sua entrega a quem o merece, há que pensar em alternativas que, não aumentando significativamente, ou mesmo nada, façam com que a verba proveniente da CIRA e destinada aos moliceiros seja bem gerida.

uma primeira hipótese, e já a propus em sede própria, seria a atribuição de um apoio anual por cada barco, com condições a definir.

outra hipótese, e hoje inclino-me mais para esta, seria a realização de uma regata de competição, no terceiro domingo de agosto.

porquê esta data? em princípios de julho há a tradicional regata da ria, na primeira semana de agosto a regata do emigrante -no cais do bico – e na primeira semana de setembro a do s. paio, na torreira. assim na terceira semana de agosto, época alta, uma regata de competição animaria mais uma vez a ria.

para a regata de competição que proponho, e para efeitos de cálculo de custos, parti do seguinte cenário, optimista, em 2017:

classe A – 9 moliceiros (mais 1 que em 2016)

classe B – 3 moliceiros (os mesmos de 2016)

verba para a organização das duas regatas: 2.000 euros

financiamento garantido :

transferência de 17.000 euros (números redondos) da CIRA. não haverá possibilidade de angariar outros apoios financeiros junto de entidades privadas ou mesmo públicas?

a minha proposta é então a seguinte:

regata de competição

prémios

classe A : 1º- 1.000 euros; 2º – 900 euros; 3º- 800 euros; 4º – 700 euros; 5º – 600 euros; 6º ao 9 º – 500 euros

classe B – 1 º – 500 euros; 2º – 400 euros; 3º- 300 euros

valor total dos prémios: 7.200 euros

a regata da ria, tradicional, com este número de barcos e tendo como referência os valores de 2016, transferiria para os moliceiros, mais 700 euros – mais 1 moliceiro da classe A – ou seja, 9.700 euros.

valor total a ser entregue aos moliceiros nas duas regatas: 16.900 euros

valor, razoável, a atribuir à organização : 2.000 euros

valor total: 18.900 euros

ou seja, com mais 2.000 euros, do que o normalmente afectado pela CIRA à regata da ria, faz-se mais uma regata e distribui-se pelos moliceiros o que que lhes é devido; dá-se uma verba que é, na minha opinião, suficiente e deixa margem à organização, e anima-se em pleno agosto a ria de aveiro.

a proposta aqui fica. será difícil conseguir os 2.000 euros a mais? por 2.000 euros não haverá quem organize as duas regatas?

quem não quer mais uma regata de moliceiros em pleno agosto?

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haja quem queira, que há quem faça as velas povoarem a ria

(vela de moliceiro)