
o arrais marco mostra como é velejar um moliceiro
a arte de velejar um moliceiro

um barco lindo que teve de ser vendido e que anda pelos canais de aveiro mutilado e maltratado
(murtosa; regata do bico; 2007)

o arrais marco mostra como é velejar um moliceiro
a arte de velejar um moliceiro

um barco lindo que teve de ser vendido e que anda pelos canais de aveiro mutilado e maltratado
(murtosa; regata do bico; 2007)
retrato com moliceiro em fundo

calam-se
existem não são
estão mas
sorriem muito
a todos
amanhã
serão lembrados
no registo
não na memória
dos seus
piquenos que são

(torreira; regata da ria; 2010)
faz falta um canil na terra

quando todos ajudam
não me peçam
palavras doces
calma silêncio
não sei quantos
sou comigo
sinto que muitos
deixam-me falar
para me matarem
pela calada
esquecem-se
de que não é a mim
que matam
é à memória de um povo
que dizem seu
a que pertencem e os escolheu
faz falta um canil na terra

os HOMENS da terra são desta fibra
(murtosa; regata do bico; 2007)
o caminho é em frente

aproveitar o vento
saber onde o laço
o nó
as mãos dadas mais
lembrar o ontem
na escolha de hoje
limpar a courela de ervas
semear
tempo de fazer a rede
confiar no fio
na arte dos dedos ágeis
dar as mãos pelo futuro
saber escolher
amanhã não me posso
arrepender
crescemos porque damos
não porque recebemos
sopram ventos de mudança
partamos com eles
o caminho é em frente
sempre foi

é esta a nossa gente
(murtosa; regata do bico; 2006)
espero um dia novo

há-de ir à vara
espero um dia novo
a cada dia
nada mais peço que
novo seja
de memória o sonho

o homem e o barco
(murtosa; regata do bico; 2010)
homens da ria

eles podem ser o futuro, assim os deixem e apoiem
há moliceiros na ria
porque de paixão
estes rostos cheios
retesados corpos
na ânsia da vela
mais alto o mastro
voga o sonho
dentro deles
num amanhã
onde não estarei
serão eles os mestres
senhores dos ventos
homens da ria

zé pedro miranda, joão magina e rui rodrigues (russo)
(murtosa; regata do bico; 2014)

no dia 3 de setembro de 2015, foi o lançamento do livro “sou tudo o que aqui encontras” no monte branco café, na torreira.
apresentado pelo dr. diamantino moreira de matos e por mim, aqui fica o registo possível, mas integral, do acontecimento.
um dia eu também

o “doroteia verónica” era assim
regressarei sempre
ao corpo
ao meu corpo ainda
esta coisa onde me
penduro
estendal de saberes
palavras sentires
por haver já
não muito para
uma folha caiu
levantou voo
ligeira uma ave
um dia eu também

um moliceiro é assim
(torreira; regata do s. paio; 2010)

8 de setembro é o dia de s. paio, padroeiro da torreira.
durante uma semana, uma das maiores romarias do país decorre na torreira, com a rua principal cheia de tendas as mais variadas, o parque de campismo cheio e tendas de campismo em terrenos cedidos por particulares.
gente, gente, gente…..
no mar as noites são de festa com todos os bares a funcionar em pleno e espectáculos na praia.
na ria, no fim de semana, sábado e domingo, decorrem 3 regatas:
– chinchorros (a remos)
– bateiras à vela
– moliceiros
o passeio da ria e o “cais do guedes” enchem-se de gente vinda de todo o país. a festa dos barcos é a grande festa desta terra de pescadores.
uma câmara de filmar, na bica da proa do “zé rito”, registou toda a regata e, mais do que isso, toda a actividade dentro do moliceiro que, em 2015, a venceu.
tripulação do moliceiro “zé rito” : mestre zé rito, manuel silva vieira e alfredo miranda
é mais uma memória de um tempo e uma homenagem aos homens que ainda têm a paixão da tradição do moliceiro e, por ele, sacrificam tempo de lazer e despendem as suas economias.
AOS MOLICEIROS, HOMENS E BARCOS!!!!!!!!!!!!!!!!!
para os que longe

dói-me o que sei
e não vejo
falo da saudade

(murtosa; regata do bico; 2008)