dos conhecidos

chamam-lhe recachia
há os do não
há os do sim
há os do talvez
teme os últimos

há recachia na ria
(torreira; regata da ria; 2010)
dos conhecidos

chamam-lhe recachia
há os do não
há os do sim
há os do talvez
teme os últimos

há recachia na ria
(torreira; regata da ria; 2010)
a história não é estória

longe e perto
tenho o tamanho
que tenho
nem mais nem menos
saber o meu tamanho
é saber de mim
é essa a minha grandeza
não te temo por maior
que grande é o vendaval
e passa e morre e foi
digo-te que se quiser
terei o tamanho do tamanho
que tu tens e isso
faz de ti
alguém do meu tamanho
e de mim
um outro muito maior que tu
é com essa ilusão
de falsa grandeza
que do nosso prato
comes sentado à mesa
eu sei que vamos crescer
e papas na tua cabeça
comeremos mais uma vez
a história não é estória

é na meta que se vê o tamanho
(torreira; regata do s. paio; 2014)

o arrais marco mostra como é velejar um moliceiro
a arte de velejar um moliceiro

um barco lindo que teve de ser vendido e que anda pelos canais de aveiro mutilado e maltratado
(murtosa; regata do bico; 2007)
retrato com moliceiro em fundo

calam-se
existem não são
estão mas
sorriem muito
a todos
amanhã
serão lembrados
no registo
não na memória
dos seus
piquenos que são

(torreira; regata da ria; 2010)
faz falta um canil na terra

quando todos ajudam
não me peçam
palavras doces
calma silêncio
não sei quantos
sou comigo
sinto que muitos
deixam-me falar
para me matarem
pela calada
esquecem-se
de que não é a mim
que matam
é à memória de um povo
que dizem seu
a que pertencem e os escolheu
faz falta um canil na terra

os HOMENS da terra são desta fibra
(murtosa; regata do bico; 2007)
o caminho é em frente

aproveitar o vento
saber onde o laço
o nó
as mãos dadas mais
lembrar o ontem
na escolha de hoje
limpar a courela de ervas
semear
tempo de fazer a rede
confiar no fio
na arte dos dedos ágeis
dar as mãos pelo futuro
saber escolher
amanhã não me posso
arrepender
crescemos porque damos
não porque recebemos
sopram ventos de mudança
partamos com eles
o caminho é em frente
sempre foi

é esta a nossa gente
(murtosa; regata do bico; 2006)
espero um dia novo

há-de ir à vara
espero um dia novo
a cada dia
nada mais peço que
novo seja
de memória o sonho

o homem e o barco
(murtosa; regata do bico; 2010)
homens da ria

eles podem ser o futuro, assim os deixem e apoiem
há moliceiros na ria
porque de paixão
estes rostos cheios
retesados corpos
na ânsia da vela
mais alto o mastro
voga o sonho
dentro deles
num amanhã
onde não estarei
serão eles os mestres
senhores dos ventos
homens da ria

zé pedro miranda, joão magina e rui rodrigues (russo)
(murtosa; regata do bico; 2014)

no dia 3 de setembro de 2015, foi o lançamento do livro “sou tudo o que aqui encontras” no monte branco café, na torreira.
apresentado pelo dr. diamantino moreira de matos e por mim, aqui fica o registo possível, mas integral, do acontecimento.
um dia eu também

o “doroteia verónica” era assim
regressarei sempre
ao corpo
ao meu corpo ainda
esta coisa onde me
penduro
estendal de saberes
palavras sentires
por haver já
não muito para
uma folha caiu
levantou voo
ligeira uma ave
um dia eu também

um moliceiro é assim
(torreira; regata do s. paio; 2010)