mensagem de ano novo
(aos donos da pátria dos moliceiros)

tão pouco fazem
depois de tanto terem dito
que chego a pensar que são
outros neles

o moliceiro “alfredo rebelo”
(murtosa, regata do bico; 2006)
mensagem de ano novo
(aos donos da pátria dos moliceiros)

tão pouco fazem
depois de tanto terem dito
que chego a pensar que são
outros neles

o moliceiro “alfredo rebelo”
(murtosa, regata do bico; 2006)
UM BOM ANO DE 2016
sobreviver

o moliceiro “dos netos” do ti abílio carteirista
de velas pandas os dias
seguiram o seu caminho
barcos ante nossos olhos
espanto de ainda por cá
resistir teimoso à chamada
espantoso o ser ainda
um moliceiro voga na ria
quero deixar-vos um ror deles
a encher-vos os olhos
nada mais vos peço que
sonheis com muita força
só assim os moliceiros hão-de
sobreviver

a bandeira da pátria dos moliceiros
(murtosa; regata do bico; 2007)
considerando os prémios de participação e de mérito, o máximo que um moliceiro pode totalizar com as regatas do bico na murtosa e a do s. paio na torreira, será de 900 euros, tendo para tal de ficar em primeiro lugar nas duas.
uma vez que os custos de manutenção e pintura dos barcos para participarem nas regatas, nunca é inferior a 1.000 euros, compreender-se-á facilmente que, este ano, foram os donos dos barcos que participaram nas regatas, quem efectivamente financiou o turismo da ria.
esperemos que para o ano tal não volte a acontecer e que estes homens vejam reconhecido o seu esforço, amor e empenho na manutenção de uma tradição que os viu nascer e que consigo levam até onde ….
para eles, mais que um aplauso, um abraço solidário e reconhecido pelo que são: PORTUGUESES

(regata do bico; 2012)

ergo as palavras sobre pedras duras afiadas as da calçada dos dias que percorro procuro o vento que as leve onde areias sorrisos corpos desejos carícias e as deixe cair sonoras brutas nos lagos podres das avenidas até lá continuarei ainda a estar vivo e a falar desta coisa coisa chamada fome de justiça e amor às coisas da terra assim me tomem ou rasguem vou com os barcos
(cais do bico; murtosa; 2011)
na arte da solheira o safar é sem dúvida a tarefa mais trabalhosa.
durante alguns registos iremos acompanhar o bailar das redes e como, quando e onde pode ser feito o safar das redes.
olhar é o princípio da descoberta das coisas e do estudo dos processos em que se inserem
(cais do bico; murtosa; 2010)
é verão
nos campos voam os insectos
mais quentes do ano
borboleta
voas de flor em flor
e eu sou a pétala em que poisas
gafanhoto devoras
as minhas folhas mais tenras
grão a grão o trigo cresce
e são mais vermelhas as papoilas
dos teus lábios
quem te falou do milho
e te contou das maçarocas?

são os mais pequenos mas também é deles a beleza se houvesse vento sobre as águas da ria voariam aves diversas belezas para os olhos de todos despesas para os bolsos dos poucos que ainda olhaste e viste? por detrás do moliceiro cada vez menos há homens antigos moliceiros homens com H do tamanho do mastro maior da vela mais alta homens que à ribalta dos média levam os que a eles migalhas dão que este não é um poema é uma promessa o vento que hoje não houve passará por aqui e levantará outras velas descobrindo como vamos e de que fibra são feitos os homens da ria
(murtosa; regata do bico; 2010)