postais da ria (139)


pão parco

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safar as redes da solheira para a plataforma

no longe quem sabe
o futuro
um barco meses no alto

um salário nos dedos
rasgados pelo gelo
redes cordas espinhas

sonhar amanhã
um destino diverso  deste

estagnado na beleza inútil
de onde um pão parco

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fosse o peixe limo e boa a pescaria

(ria de aveiro; torreira; porto de abrigo)

os moliceiro têm vela (188)


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quando não há vento in”venta”-se

sabíamos que os moliceiros podiam andar:

– à vela
– vara
– à sirga

mas “a vertedouro” só um mestre construtor e velejador, como o mestre felisberto caçoilo, podia inventar

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ser moliceiro é isto: rein”ventar”

(murtosa; regata do bico; 2010)

os moliceiros têm vela (186)


na vela o vento

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com duas velas

ser ainda árvore
depois da tempestade

deixar que o vento siga
a sua eterna viagem

fundas as raízes na terra
escrevem o teu nome

sorris sem saber como
nem para quem

mais forte o sorriso
que o vento

na vela

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que beleza é esta?

(torreira; regata da ria; 2011)

os moliceiros têm vela (185)


boa viagem meu irmão

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o “a. rendeiro” mostra-se

não consigo escrever
o teu sorriso
a lágrima de alegria

a espera foi dura
contados os dias

não consigo escrever
a tua voz
como se muitos anos
mais jovem

abraço-te com palavras
e lembro-me de um verão
juntos rente às raízes

nesta nova viagem
sê feliz meu irmão

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o ti zé rebeço mostra o que vale

(murtosa; regata do bico; 2009)

postais da ria (135)


a capa

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o salvador e o falecido pai, ti domingos, cirandam berbigão

não lhes conheces
o rosto o nome
o quanto

à mesa saboreias
o que deles

olhas os registos
estudas contrastes
enquadramentos

outro repasto
para outro prazer

regressarás quando
só porque viste
saboreaste sentiste

mas não lhes sabes
o nome o rosto
a vida

não contas a estória
lês do livro a capa

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as cores da ria não dizem tudo das suas gentes

(torreira; cirandar)

postais da ria (134)


ser feliz aqui

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caminho pelo olhar
e sonho

ignoro o por detrás
e fico-me

pela superfície vazia
onde tudo

pode ser o que eu
quiser

despedi da paisagem
o ruído

das gentes e seus dramas
esqueci

o indesejável saber da
injustiça

inventei ser feliz aqui

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(torreira; porto de pesca)