os moliceiros têm vela (213)


hoje quero ser vela

0 ahcravo_DSC_2026 a bw
a ilusão é estarem juntos
porque deviam

a realidade é a ilusão
ser só isso

contenta-te com o que vês
e sê feliz

se as velas fossem asas
haveria quem as quisesse
roubar

mas são apenas asas
não servem para voar

hoje quero ser vela

0 ahcravo_DSC_2026 a

(torreira; regata da ria: 2010)

crónicas da xávega (162)


quero ser barco

0 ahcravo_DSC_9076_marco 14 bw

estátua nome de rua
jardim praça medalha
não as quero
sequer as mereço

nada fica
de quem a tudo se deu

se me disserem de pedra
acreditem
tudo o que de mim digam
é verdade ou foi

estou cansado velho
gasto desconjuntado

no tempo que me falta
quero ser barco

0 ahcravo_DSC_9076_marco 14

(torreira; coampanha do marco; 2014)

os moliceiros têm vela (212)


espero

0 ahcravo_DSC_4203 bw
espero
as palavras sensatas
a resposta
cordata e pensada
reconhecidos
o erro a falta

espero
a justa paga porque
prometida
e como tal devida
a quem por ela fez
mais do que
quem dela sem saber fala

espero
mais que tudo
e como sempre
que os homens sejam
a palavra dada
convertida
no pagamento devido
só isso

sou as águas calmas
da ria
mas também as vagas
quase de mar
quando do norte
o vento forte
em rajadas

espero
mas não muito

0 ahcravo_DSC_4203

(torreira; regata do s. paio; 2012)

crónicas da xávega (161)


o arribar

0 ahcravo_DSC_8373 bw

depois de presos os ganchos nos arganéis da proa – arribar de proa – é preciso correr para fugir ao perigo, não só porque pode haver um movimento lateral do barco, mas também porque o tractor começa de imediato a puxá-lo para terra.

é um momento perigoso para todos.

0 ahcravo_DSC_8373

(torreira; companha do marco; 2013)

crónicas da xávega (160)


só esses

0 ahcravo_DSC_4527 bw

a companha carrega o saco na zorra

vêm da terra as vozes
que não ouvimos
o termos nela raízes
é o silêncio de sermos
sem necessidade de alarido

escrevo nós
e não é o pronome que ouço
são os laços
tão fortes e tão frágeis
que o tempo romperá a seu tempo

não precipites os dias a haver
vítima serás
se carrasco quiseres ser

abraço quem me abraça
escreveu o poeta
eu também

só esses

0 ahcravo_DSC_4527

todos unidos, são a companha

(torreira; companha do marco; 2015)

os moliceiros têm vela (210)


0 ahcravo_DSC_1991 bw

PAGUEM O QUE DEVEM AOS MOLICEIROS

enviem esta mensagem para:

geral@regiaodeaveiro.pt

que é o mail da Comunidade Intermunicipal da Região de Aveiro – Baixo Vouga (CIRA), organizadora da regata da ria 2015.

não basta gostar dos moliceiros é preciso lutar por eles e com eles

geral@regiaodeaveiro.pt –  PAGUEM O QUE DEVEM AOS MOLICEIROS

0 ahcravo_DSC_1991
(torreira; regata da ria; 2013)