postais da ria (377)


sei dos dias pela luz


torreira; corrida de chinchorros; 2014
 sei dos dias pela luz

 em todos vos amo
 sem saber de datas
 nem efemérides
  
 em todos todos vos quero
 sem destrinça
 em todos os dias todos são
  
 sei dos dias pela luz
 
 dos que esperam  
 ser no calendário dia  
 digo que cegaram
 
 voo para o sol 

crónicas da xávega (366)


dar o porfio

xávega; dar o porfio; torreira; 2011
olho as palavras
que foram minhas
com o espanto
de o terem sido
 
quem fui
para as ter escrito
 
quem sou
quando as escrevo

quem serei
quando as lerem
  
indiferente o agostinho
dá o porfio ao saco

essencial para o pescador
é um bom laço de carapau
 
 

os moliceiros têm vela (428)


sou ainda

torreira; regata da ria; 2011
 esqueço-me
 com facilidade
 
 
 o tempo já
 não me chega
 porque curto
 para tanto
 
 
 lembro-me
 com dificuldade
 
 
 as palavras
 sobem a custo
 os degraus
 do poema e hesitam
 antes de
 
 
 escuto-me
 com acuidade
 
 
 perco-me
 muito
 encontro-me
 tanto
 
 
 sou ainda