rostos da torreira (2)


para o zé titi

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adormecem gaivotas na areia
sopra forte o norte
varrendo a praia
é inverno

atento caminha pela praia
busca um brilho
um pedaço perdido de verão

já houve mais diz-me
a crise também aqui se faz sentir

de poucas falas
sempre pronto a ajudar
é de terra este homem
aqui onde todos são de mar

veste-se de silêncio
difíceis as palavras

sentado num banco à beira ria
tem o tamanho do sorriso
a limpidez mais pura no olhar

chama-se zé titi

(torreira; 2010)

 

os moliceiros têm vela (326)


da verdade

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o moliceiro “Ferreira Nunes” que, sendo este o seu primeiro ano, ficou sempre entre os quatro primeiros de todas as regatas e no s. paio em segundo.
para mim ele é o grande vencedor das regatas de 2018.

a verdade
não sei se existe

mentiras
bem contadas
essas sim
existirão sempre

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o moliceiro “Ferreira Nunes” que, sendo este o seu primeiro ano, ficou sempre entre os quatro primeiros de todas as regatas e no s. paio em segundo.
para mim ele é o grande vencedor das regatas de 2018.

(torreira; regata do s. paio; 2018)

 

 

postais da ria (266)


para o josé antónio vieira (rito)

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a bateira “pedro” tripulada por pedro vieira e o pai, josé antónio vieira (rito), vence a regata

nunca é cedo demais
acontece
a fala uma perna morta
um braço sem

incapacidade para

reerguer-se voltar a
ser de novo
se bem que outro
sobre viver

chama-se josé antónio
teve um AVC
o braço direito pende
inerte morto

ao leme da bateira
ganhou a regata
ganhou a si mesmo

brava gente esta
a da nossa ria

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a bateira “pedro” tripulada por pedro vieira e o pai, josé antónio vieira (rito), vence a regata

(torreira; regata das bateiras; 2018)