o tamanho dos homens

os homens têm o tamanho
inverso dos seus medos
se o medo do mar
os faz grandes
o medo dos homens
os faz pequenos
fui ao mar em terra
e vi -lhes o tamanho

(torreira; 2016)
o tamanho dos homens

os homens têm o tamanho
inverso dos seus medos
se o medo do mar
os faz grandes
o medo dos homens
os faz pequenos
fui ao mar em terra
e vi -lhes o tamanho

(torreira; 2016)
eis o cipriano

se um homem
se pode definir
pelo gesto
eis o cipriano

(torreira; 2008)

cipriano brandão (gamelas)
cipriano
não sei onde estás
sei onde te deixaram
cipriano
não nos vamos
encontrar mais
mas cipriano
fazes parte
da minha torreira
farás sempre

o cipriano, no mar, em 2010
(cipriano brandão_gamelas, torreira; 2010)
escrevo porque

por vezes
só os barcos arribam
à mesma praia
não escrevo
para que me oiças
escrevo porque sinto

(torreira; 2013)
as imagens têm nomes

houve os que partiram
há os que ainda
haverá outros amanhã
guardo muitos comigo
mais que os barcos
mais que as artes
os homens
as mulheres
a canalha
as imagens têm nomes
são gente
sinto-a poisada nos dias
(torreira, 2017)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira
sonharei sempre

sonharei sempre
de olhos abertos
atento às palavras
recuso-me a ser
o que cala e aceita
sem questionar
também o sol
que aquece e ilumina
projecta sombra
que dizer da lua
e das suas duas faces
sonharei sempre
de olhos atentos
questionarei
deixo as certezas
para os treinadores
de bancada
levo comigo a dúvida
companheira amiga
na busca de saber
sonharei sempre

o “A. Rendeiro” com o ti zé rebeço e manel antão
(torreira; regata do s. paio; 2015)
durmo mal

safam-se as redes, limpa-se o lixo
sei demais
mesmo sabendo pouco
vivi muito
durmo mal
não me digas o que és
poderás iludir-me
com o dizeres-te-me
as ilusões são breves
por isso são
o tempo e tu mesmo
me dirão de ti
o que não me disseste
espero-te sentado
enquanto leio
não sei muito
mas vivi quanto baste
e durmo mal
não me embalas
com cantigas
(torreira; 2017)
depois de largar e alar
safar peixe se houver
há que safar e arrumar as redes
são muitas as horas
para tão pouco ganho
falo da solheira