a minha voz é vento
o meu olhar é luz
semeio sem saber se colho
recuso a caverna
onde vivos enterrados
recuso a cama
de cartão com gente dentro
recuso a mão estendida
na sede uma moeda
recuso o silêncio
espantado de não haver bocas
para tantas palavras retidas
recuso olhos sôfregos
nas montras onde só pão
recuso a desilusão amarga
consentida do ter de ser
recuso os sorrisos bolorentos
da caridadezinha
a distribuir o que a mais
recuso
porque quero diverso
este estar aqui
tão efémero e tão sofrido
para tantos
