cesária e os outros


cesária évora_fotografia do site do ministério da cultura do brasil

 

dois testemunhos de amigos que conviveram com cesária. um de um caboverdiano chamado john, amigo dos meus tempos de s.vicente (1962/64) e a viver em cabo verde, outro de uma portuguesa que tem por cabo verde uma grande paixão e que pretende ficar no anonimato.

 

testemunho anónimo:

 

Em 1990, em S.Vicente, conheci pessoalmente a Cesária num bar onde ela costumava cantar . Empatia imediata com uma mulher simples , direi até de uma ingenuidade tocante . Dias depois , novo encontro e, conversa para cá e para lá ( bem regada com uns whiskies … ), digo-lhe que, em Junho, teria portador para algo que quisesse de Portugal . ” Manda bacalhau ! ” ! ” Cize, bacalhau por portador e de avião ? Não pode ser ! ” … Manda um tecido bem lindo para eu fazer um vestidinho ” . E, mandei mesmo. Cesária, nesse céu tão grande onde tu estás , quando quiseres olhar o mar azul da tua ilha, põe esse vestido bonito, canta como só tu sabes ( e, o Ildo também…) e, sê muito feliz

 

testemunho de john

 

Há cerca de 25 anos. eu ia muitas vezes ao “Piano Bar” do Chico Serra, no Mindelo. A Cesária passava frequentemente por lá e, se lhe apetecia, cantava. Por vezes, fazia-o após muita insistência dos amigos e havia noites em que até atendia aos nossos pedidos para cantar especialmente uma ou outra morna do seu imenso reportório. Eu gostava de ficar de pé, ao balcão, e acontecia, com não menos frequência, a Cesária mandar-me recados, através do empregado que servia o pessoal nas mesas, para pagar-lhe um whisky ou um chocolate, pedidos a que sempre satisfazia. Anos mais tarde – no início da carreira internacional da Cesária e quando ela ainda passava períodos de descanso relativamente longos na ilha -, ocorreu, uma noite, o seguinte episódio. Estando eu de visita ao amigo Pakey no “Bar do Povo”, do qual era proprietário, porta aberta sobre a Rua Machado, retirei-me por breves instantes para verter águas e, quando voltei, pedi ao barman que me dissesse quanto devia, pois queria ir-me embora. Foi então que ele respondeu: “Nada deves! A Cesária passou por cá e viu-te quando ias à casa de banho. Perguntou-me se tinhas tomado alguma coisa, insistiu em pagar a tua conta, deixou-te mantenha e saíu. Para quem não sabe: “deixar mantenha ou mandar mantenha” é o mesmo que “deixar saudades”.

 

o mundo é muito pequeno. seria interessante juntar mais testemunhos de convivência com cesária (cize).

 

 

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