meditolhando

quando os tractores também vão ao mar
dos inimigos
espera tudo

dos amigos
muito mais

(torreira; 2016)
meditolhando

quando os tractores também vão ao mar
dos inimigos
espera tudo

dos amigos
muito mais

(torreira; 2016)
poderia

ciranda de dois ( ou será de casal?)
poderia escrever
os nomes dos barcos
dos homens das mulheres
dos ganhos das perdas
das artes das artimanhas
da compra da venda
dos contratos doutros tratos
poderia
mas deixo para ti
esse caminho doloroso
que já percorri
também tu
deves aprender
como se vive por aqui
(torreira; cirandar; 2016)
há eleições? repara-se o moliceiro!
“notícia é quando um homem morde num cão, e não o contrário”

o moliceiro da câmara da murtosa com duas velas
haverá alguns dias aparecia na página do facebook do município da murtosa, uma publicação com o seguinte título “BARCO MOLICEIRO DA CÂMARA DA MURTOSA EM MANUTENÇÃO NO ESTALEIRO DA PRAIA DO MONTE BRANCO” -https://www.facebook.com/municipiodamurtosa/posts/1349085255169813:0. amigos houve que partilharam esta publicação como se de algo extraordinário fosse …
e não é que é mesmo! é que não se percebe porque é que aquilo que todos os moliceiros resistentes fazem nesta época do ano, reparação e manutenção – aproximam-se as regatas –, há-de ser notícia? será por ser o moliceiro da câmara municipal? só se for.
no entanto é capaz de ser mesmo notícia relevante, será que não houve reparações desde 2013? se houve, desculpem mas não dei por ela, nem foi objecto de qualquer publicação na mesma página….
(um amigo segreda-me: você fala porque não vive cá…..)
recordo agora que em 2013 fiz no meu blog, e no facebook, uma publicação sobre uma situação análoga, então com publicação em jornal – ainda não havia página no facebook. vejam o que se passava, leiam:
coincidências! 2013 e 2017 são anos de eleições autárquicas. não é que na murtosa esteja em causa a mudança de executivo, mas sempre são eleições e eu, neste caso e a bem do moliceiro municipal, começo a pensar que devia de haver eleições todos os anos.
lembro-me de em 2012 não ter havido regata da ria por falta de fundos, de se ter feito uma manifestação, da torreira a aveiro, com alguns moliceiros, de caras tapadas com plástico preto, bandeira preta e um cartaz a dizer “NÃO MATEM OS MOLICEIROS”.
em 2013 fez-se a regata e o candidato à câmara de aveiro, ribau esteves, até veio à torreira dar a partida. coincidência?
(o amigo insiste: você fala porque não vive cá…..)
quanto a outros parágrafos da publicação, que davam pano para mangas, quero só tocar no que mais me interessa, o apoio aos donos dos moliceiros resistentes. escreve-se, e transcrevo, “ No último ano, os prémios atribuídos pela autarquia ascenderam, na globalidade, a mais de 10.000 euros”. tanto dinheiro! quanto é que dá por barco? chega para garantir os custos de reparação e pintura, sem falar já nos de manutenção? (nunca menos de 1.500 euros, pelo que me dizem) mas o valor desta reparação e pintura do moliceiro municipal deve servir de indicador e ajudar a ver quanto custa.
(algures em pardelhas há um homem que deixa a porta e, no sossego do escritório, começa escrever: este turista que vem de coimbra tirar umas fotos a correr pela praia …)
encontramo-nos na primeira regata, a da ria.
(nota: no que diz respeito ao museu estaleiro do monte branco – é assim que é designado na página da autarquia – já me pronunciei em tempo sobre ele https://ahcravo.com/2015/01/31/cada-cavadela-cada-minhoca/)

e terminará em quarto lugar
(regata da ria; 2014)
do meu fotografar

no tribunal do tempo
a fotografia é testemunha
(torreira; 2016)
terra d’água

a espera sem vento
escreveis na água
o nome da terra
tendes nas mãos
o passado
prenhe de futuro
não o deixareis cair
sei e sinto
terra d’água
a vossa

já lá vão 10 anos ….
(regata do bico; 2007)
abraçar o vazio

o agostinho trabalhito (canhoto) e o ti augusto
estar vivo é
por vezes
abraçar o vazio
(torreira; 2013)
mesmo se longe

o salvador belo e a ciranda de um
mais que os barcos
mais que a ria
mais que a beleza
que em tudo respira
os homens as mulheres
os que vivem os dias
sem saber de horas
férias feriados
que só sabem
de encomendas
de interdições
de marés
do que por vezes
não sabem por quanto
falo dos meus amigos
e do respeito
que por eles tenho
mesmo se longe

é duro, é muito duro
(torreira; cirandar)
um cravo para ti

mais do que a palavra
somos o gesto
mais do que o pensar
somos o fazer
mais do que únicos
somos solidários
não somos diferentes
somos assim
temos a liberdade de o ser
por isso lutámos
temos a liberdade de te dizer
é teu o que conquistámos
mesmo que o não sintas
porque não viveste o antes
mais do que a mão que fere
somos a mão que dá
nessa mão um cravo
um cravo para ti
hoje que é 25 de abril
e tu sem o sentires
és a razão de termos feito
de continuarmos a ser
mais do que a palavra
o gesto
dentro dele o teu cravo

(coimbra; 25 de abril de 2017)

será?

em boa terra
até a má semente
germina

(regata da ria; 2010)
desencontro

a escolha
a mão que deste
a mão que te deram