
o meu amigo agostinho trabalhito
(torreira; 2016)

o meu amigo agostinho trabalhito
(torreira; 2016)
em louvor do moliceiro

o mestre zé rito e o avelino
fazem os homens
o barco que os faz
e no fazerem-se
são mais que eles
queria dizer-te
que o teu tamanho
como escreveu pessoa
é o tamanho do teu sonho
e tu
oh homem pequeno
de trazer por casa
se não fores barco
não serás sonho
nem terás tamanho
tenham piedade de ti
que eu não

ilusão o serem os homens menores que o barco, porque iguais
(torreira; agosto de 2016)
onde a gulha?

faz-se o nó
emenda-se a corda
assim se unissem
os homens
como as mãos
no fazer
onde a agulha?
(torreira)

caminhos de sal
falas de amor
1.
amigo, tenho 75 anos, a minha mulher faleceu há quase um ano. se quisesse já tinha mulher em casa. não sou maricas. fomos casados 53 anos e não consigo ver outra a tocar nas coisas dela.
2.
vinte anos é muito. agora é que estou bem: paz, amor
(registo: morraceira; setembro; 2016)
notas de um retirante
o associativismo dos pescadores no concelho da murtosa

o fernando bastos a cirandar, na bateira a esposa, vivelinda bastos
no livro “Breve História do Concelho da Murtosa” da autoria de Marco Pereira, houve o cuidado de fazer o levantamento do movimento associativo do concelho, listando por tipologia as diferentes associações existentes ou que tiveram existência. no que respeita a associações de natureza económica, não encontramos nenhuma referente ao sector das pescas.
de acordo com documentação que enviei ao autor foi, no entanto, fundada em 1921 a “A Associação de Classe dos Marítimos da Murtosa”, de que, entre outros, foi sócio fundador o meu bisavô Domingos José Cravo.
segundo documento da “Secção Administrativa e Policial de Estarreja” de 1937, informa-se o Governo Civil de Aveiro “que não há elementos que possam esclarecer como e quando acabaram as Associações dos “Marítimos da Murtosa” e …..”.
ou seja, foi sol de pouca dura.
seria interessante, em estudos futuros abordar o associativismo dos pescadores do concelho.
dou como exemplo o que se passa na torreira, onde se concentra a maior comunidade piscatória : os pescadores são representados, na sua maioria, por uma associação com sede em viana do castelo e por uma outra associação com sede em aveiro. a concessão da docapesca da torreira, foi ganha pela associação de aveiro.
se considerarmos que os pescadores descontam 1% para a associação que os representa e mais 1% para o concessionário da docapesca, talvez cheguemos a números interessantes.
tentei sabê-los mas …. até hoje nada.
porque é que o associativismo local não vinga entre os pescadores do concelho e vão buscá-lo fora?
mais que uma pergunta, fica um desafio para quem se dedica ao estudo das comunidades piscatórias.
(cirandar berbigão)
oração (2)

aos homens que vencem o mar
vencendo-se a si próprios
eu que sou um deles sem o ser
só lhes peço
que sejam em terra os mesmos
de pé altivos destemidos
de joelhos só perante
o senhor dos céus
em oração

(torreira; companha do marco; 2016)
na janela o rosto

dois olhares, um rosto
a viagem
não é estar
é ser
o rosto na janela

olhaste e não viste que te olhava
(no comboio entre coimbra e figueira, 12 jan 2017)
das mãos

há dias assim, pena não serem todos
com as mãos digo o teu nome
caminho pelas palavras
por onde houver que
dou e tiro
sou as minhas mãos
lê-as para me saber

rer
salgar o olhar
e dar-lhe o sabor
destes momentos

rer
(morraceira; 2016)
porque hoje, no brasil, é dia
nacional da fotografia e do fotógrafo

o A. Rendeiro, com o ti zé rebeço ao leme e o manuel antão
para que se lembrem
ou acordem
os que podem querem e mandam
mas parece não saberem
que este pode ser
um dos motores do turismo temático
da ria
onde de novo
produzirá riqueza
assim o queiram
assim o saibam
assim o não ignorem
maltratem ou dele descuidem
para mim é dele o dia

(torreira; regata do s. paio; 2014)