crónicas da xávega (141)


resistir

0 ahcravo_DSC_2899 bw

o ti américo na manga do reçoeiro, no alador

a manga no alador
corre
o fim do lanço quase

os anos pesam
mais a rede
mais a necessidade

a língua espreita
o esforço
as ganas de continuar

um homem não é
uma máquina
resiste resiste resiste

está vivo muito

0 ahcravo_DSC_2899

conhaque é conhaque, serviço é serviço

(torreira; companha do marco; 2015)

 

postais da ria (143)


joão manuel brandão (1)

0 ahcravo_DSC_8751 bw

das muitas artes de pesca que ainda se praticam na ria e que pude acompanhar de perto, a arte da “cabrita alta”, para apanhar bivalves é, sem dúvida, a mais dura.

com o joão manuel brandão e o joão manuel dias, em 2012, pude ver de perto o sofrimento que provoca no mariscador.

as fotos que vou publicar são do joão manuel brandão e mostram bem o esforço que se lhe espelha no rosto.

coluna, joelhos, braços, pernas, todo o corpo é uma máquina que se desgasta nesta arte duríssima e que, mais dia menos dia, os leva ao bloco operatório ou à fisioterapia.

parca paga, enorme o desgaste, maior a despesa.

0 ahcravo_DSC_8751

(ria de aveiro; torreira; cabrita alta; 2012)

crónicas da xávega (139)


aos que trocaram o certo pelo incerto

0 ahcravo_DSC_2938 bw

aqui se mostra portugal

falo do mar e dos homens
falo de nós
não dos dos brandos costumes

de nós
dos que desafiaram o sonho
para o tornar realidade

de nós
dos que inventaram ser maiores
que a terra onde nasceram
e partiram para serem
o que lhe negavam

falo de nós
dos que trocaram o certo
pelo incerto

0 ahcravo_DSC_2938

repito-me: são estes os homens que o hino canta

(torreira; companha do marco; 2010)

postais da ria (141)


revisito-me

SONY DSC

corre a rede por entre os dedos

correm lestos os dias
por entre os dedos
aragem breve subtil

súbito
temporal
de tantos havidos

fui neles o mais
que soube

assisto-me sem
críticas de

revisito-me

SONY DSC

com o salvador belo, no meio da ria

(ria de aveiro; torreira; largar da solheira)

 

crónicas da xávega (138)


ti antónio neto

0 ahcravo_DSC_5152 marco 09 s bw

como sempre, calado a olhar para o longe

escrevo mar memória
cansaço vida morte
conto o tempo
os dias onde já não

sei ti antónio
que já partiu

tarefa pesada esta
de carregar certos dias
como se menos um

recordo então os rostos
dos que partiram
vejo-os sorrir de novo
reinvento o tempo
um tempo de sol e mar
o nosso tempo

revejo-o  ti antónio

0 ahcravo_DSC_5152 marco 09 s

ao mar ao fundo continuará sempre

(torreira; companha do marco; 2009)