da beleza

há recachia na ria
ama o belo
não por ser teu
mas por ser
o moliceiro é

há recachia na ria
(torreira; regata da ria; 2016)
da beleza

há recachia na ria
ama o belo
não por ser teu
mas por ser
o moliceiro é

há recachia na ria
(torreira; regata da ria; 2016)
urgente

o mestre zé rito ao leme do moliceiro “Zé Rito”
poesia precisa-se
poetas abundam

o mestre zé rito ao leme do moliceiro “Zé Rito”
(torreira; regata do s. paio; 2018)
da ilusão

um mais um
quantos são?
o total depende
sempre de ti

(torreira; s. paio; 2011)
não ardem

vão em bando
em direcção ao sol
sonham-se
mais que barcos
aves homens terra
esta
vão em bando
em direcção ao sol
reinventam-se
não ardem

(murtosa; regata do bico; 2009)
navegar

navegar
de corpo em corpo
ave na vertigem
de voar sem asas
amanhã será
se for
agora é

(murtosa; regata do bico; 2012)
hoje

o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro
entra em mim o outono
por debaixo da porta
deste estar aqui ainda
o vento levou as memórias
onde habito
fui-me e fiquei
para ser
o que esqueci

o “Doroteia Verónica” ainda era um moliceiro inteiro
(torreira; regata da ria; 2011)
ti zé

eles pensam que sabem
porque atrás do nome
têm um título
são ignorantes
e não o sabem
ti zé
você não sabe que sabe
por isso é sábio
sabedoria ignorada
a da vida
(torreira; 2015)
tão só

durante anos
registou as vozes
do vento
quando morreu
abriram o livro
as folhas voaram
um sopro de vento
tão só

(torreira; regata s. paio; 2018)
memória

memória
se a houver
será apenas isso
o que dizem ter sido
mesmo não sendo
o que foi
tudo depende
de quem conta

(torreira; regata s. paio; 2014)
a memória de um tempo, de um lugar, de uma gente.
a nossa memória contada por francisco faustino em 23 de junho de 2018
aqui se fala do moliço, da emigração, de um tempo de águas mais doces
de seres e estares que não voltam e por isso são memória a não negar, esconder ou ignorar.
somos nós, agora ainda, frutos de