o beijo

numa folha de papel
desenhei dois lábios
como a arte é nula
ficaram mal feitos
mas
coisa estranha
beijaram-me

(torreira; regata do s. paio; 2018)
o beijo

numa folha de papel
desenhei dois lábios
como a arte é nula
ficaram mal feitos
mas
coisa estranha
beijaram-me

(torreira; regata do s. paio; 2018)
da verdade

o moliceiro “Ferreira Nunes” que, sendo este o seu primeiro ano, ficou sempre entre os quatro primeiros de todas as regatas e no s. paio em segundo.
para mim ele é o grande vencedor das regatas de 2018.
a verdade
não sei se existe
mentiras
bem contadas
essas sim
existirão sempre

o moliceiro “Ferreira Nunes” que, sendo este o seu primeiro ano, ficou sempre entre os quatro primeiros de todas as regatas e no s. paio em segundo.
para mim ele é o grande vencedor das regatas de 2018.
(torreira; regata do s. paio; 2018)
todo

todo o longe
é um perto
mais afastado
depende de ti
o não ser tanto

(torreira; regata s. paio; 2014)
zé pedro

neste registo de 2013 o zé pedro deveria ter ainda 13 anos e já estava a coser o pano de uma vela.
em 2009 com 10 anos quando o avô, o mestre zé rito, construiu o moliceiro no estaleiro ao lado da casa, já ele andava a acompanhar a construção e a “botar” opinião.
depois começaram as participações em regatas, aos 12 anos já era timoneiro no moliceiro do falecido manel valas, onde com 15 anos apenas – ajuda-me se estiver errado, zé pedro – já foi arrais.
em 2014 ou 2015 com o rui (russo) e o ti manel valas, penso que ficaram em 3º lugar na regata da ria, chegando mesmo a ir na frente em alguns momentos da regata.
digo isto sem consultar documentação, de memória. o importante não é o ano, não é o lugar à chegada, o importante é o amor à partida.
o zé pedro, hoje com 19 anos, é um homem da ria, um homem que se houver condições, juntamente com outros jovens, poderá continuar a tradição legada pelos avós.
haja querer que os moliceiros tradicionais e as regatas têm quem as continue.
quando alguns se queixam que não fazem porque a juventude não se interessa, na ria é ao contrário, há jovens que querem continuar, só precisa que lhes dêem condições.
dá deus nozes …..
(torreira; regata da ria; 2013)
maria emília

professora, natural da região de aveiro (sul), comprou em leilão, no ano de 2015, o moliceiro “S. Salvador”.
no painel da proa, estibordo, a pintura de um moliceiro e a legenda “EU SOU FELIZ AQUI”.
segundo me disse, comprou o moliceiro para passear com a família e os amigos, mas tem participado em todas as regatas desde que o comprou.
e participa como camarada.
em frente ao estaleiro do mestre zé rito, na torreira, apodrece o moliceiro do falecido manuel valas. não haverá nenhum orgulhoso de ter nascido na “pátria do moliceiro” que passe das palavras aos actos e o ponha navegar?
murtoseiros, olhem para o exemplo da maria emília.
regata do bico 2018
(participação e posição à chegada até ao 5º – classe A)
1 – A. Rendeiro
2 – Marco Silva
3 – Zé Rito
4 – Ferreira Nunes
5 – Um sonho
O Amador
Dos Netos
S. Salvador
CM Murtosa
Inobador
(penso não ter aqui qualquer falha mas, se a houver, venham ajudas que correcções farei)
(murtosa; regata do bico; 2018)
abílio fonseca (carteirista)

o ti abílio já passou os 80 e ainda cá anda a velejar e a ser o exemplo acabado daquilo a que alguns chamam a “brejeirice da beira-ria” – e que tanto tem sido representada nos painéis dos moliceiros.
passem umas horas com o ti abílio e verão como todos os painéis brejeiros podem ser de carne e osso.
nascido e criado na gafanha baixa, na murtosa, cresceu no moliço, foi para a marinha, emigrou, regressou e continua.
é dono do moliceiro “Dos Netos”, o único que não foi construído na zona norte da ria, mas pelo mestre gadelhas, de seixo de mira.
a boa disposição toma-a ao pequeno almoço e adormece com ela.
tratamo-nos por tu e eu tenho por ele amizade e respeito.
guardo, emolduradas, as medalhas que me ofereceu nas regatas da ria e do s. paio, em 2016.
amanhã, dia 5 de agosto, se tudo correr como planeado, lá estaremos na provocação brejeira, tão nossa, tão da beira-ria.
(torreira; regata da ria; 2013)

zé rebeço
o ti zé rebeço, com quase 80 primaveras, é o exemplo vivo do murtoseiro: ama a ria, lavra a terra e soube o que foi ter emigrar para vingar na vida.
antes de emigrar foi moliceiro e mercantel desde miúdo.
é dono do moliceiro “A. Rendeiro” e vai estar na regata do bico, domingo dia 5.
orgulho-me de o ter como amigo
(torreira; regata da ria; 2013)

sei-me
sou eu ainda
depois de
sei-me
mesmo se
não me nego
estou comigo
(torreira; regata da ria; 2013)
vão chamar “barqueiros” …….

a regata da ria 2018, dá para escrever uma história.
quanto à divulgação – primeiro momento – foi a pior de sempre e provavelmente a mais cara. só no dia 22 começou a ser divulgada e na véspera não havia um cartaz sequer na torreira. mas temos uma parceria com uma empresa de liverpool experiente em eventos deste género. paguemos!
os moliceiros uniram-se, falaram e conseguiram aumentar os valores dos prémios, deixando o intermediário próximo do que merece. ainda é muito!
à regata faltou vento e ir contra a maré e sem vento ….. houve quem se cansasse e vai de “botar” motor. quando já eram uns quantos, a organização achou por bem dar por terminada a regata e foram todos a motor até aveiro. mas foi preciso que os moliceiros mostrassem, usando o motor, que assim não chegavam a aveiro, para que a organização se decidisse. custou, mas deu por ela!
hoje em aveiro, por decisão do júri, foi considerado que não haveria classificação de regata e o valor do prémio global seria distribuído pelos que ainda não se tinham posto a motor até ao momento de a regata ser dada por terminada.
para terminar, e porque quase tudo o que começa mal, mal acaba, aos moliceiros – homens- chamou a organização “barqueiros”!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
foi então que se perdeu um trovão e a possibilidade de uma faísca iluminar certas cabeças.
vão chamar “barqueiros ” ………

(ria de aveiro; 30 junho 2018)

começa cedo o amor
pelos moliceiros
mais cedo que outros
amanhã dia 30 de junho
pelas 14h30m
a grande regata da ria
parte da torreira
e vai até aveiro
o amor pelos moliceiros
não se explica
como todos os amores

(torreira; 29 de junho; 2018)