os moliceiros têm vela (173)


UM BOM ANO DE 2016

sobreviver

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o moliceiro “dos netos” do ti abílio carteirista

de velas pandas os dias
seguiram o seu caminho
barcos ante nossos olhos

espanto de ainda por cá
resistir teimoso à chamada
espantoso o ser ainda

um moliceiro voga na ria
quero deixar-vos um ror deles
a encher-vos os olhos

nada mais vos peço que
sonheis com muita força
só assim os moliceiros hão-de

sobreviver

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a bandeira da pátria dos moliceiros

(murtosa; regata do bico; 2007)

 

o meu amigo rui


ao pescador da torreira

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reparar as redes da solheira

far-te-ás no tempo
desfazendo o que de ti
fizeram
afirmar-te-ás negando
que todo o fim
é negação de início

seres tu é tarefa
em que não podes estar só
a companhia surgirá quando
de velhas companhias livre fores

és mestre do incerto
senhor do saber esperar
por isso te digo

não
não tens o que mereces
nem ninguém te oferecerá
o teu futuro

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as horas que fazem o dia são poucas

(torreira, porto de abrigo dos pescadores)

crónicas da xávega (119)


prefiro a carne ao peixe

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a compnha espera

aqui longe sei que
é esta a gente que se ajoelha
perante um deus invisível
e não se curva diante do mar

a névoa cobriu tudo e adivinhar
o mar não é arte é loucura
nestes momentos oiço-os dizer

prefiro a carne ao peixe

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como se inverno em agosto

(torreira; companha do marco; 2014)