postais da ria (297)

postais da ria (297)


por hoje chega

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a carregar berbigão

não sei se o rio
se fez mar ou o inverso
 
não sei se é no infinito
que duas rectas paralelas
se encontram
nunca falei com o infinito
 
a fé não salva mas alivia
 
não sei se conheço
o homem ou a sua aproximação
 
o vento já não me despenteia
porque estou careca
 
apaixonei-me pelas tuas palavras
 
por hoje chega
 

(torreira; 2017)

para walmir chagas


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também eu não sei
que coisa é o homem
carlos
comungar esta ignorância
com um homem como você
é um privilégio
 
mas eu sinto
quando um homem
tem assunto
 
como se escreve no português
de vocês que eu vou usar aqui
 
eu senti que walmir tinha assunto
você devia ter conhecido walmir
carlos
 
você devia
mas você não conheceu
digo eu
e sobrou para mim
falar de walmir
 
olhe melhor pensando
deixemos que seja walmir
a falar de walmir
 
ele fala sem palavras
precisa ver
 
(sam; figueira da foz; 15 março 2019)

 

abraço-vos


abraço-vos

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walmir chagas o homem instrumento

escrevo abraço
com a de abril
começo de
afonso do zeca
 
abraço a geografia
os afectos
as palavras
os cravos de abril
 
quem
abraço neste abraço
sente
 
os mais são só
isso
 
escrevo abraço
abraço abraço
 
e abraço-vos
porque hoje
passei a tarde
convosco
 
(figueira da foz; sam; março, 2019)
 
para o beto, walmir, geraldo, clarisse e bruno
os moliceiros têm vela (352)

os moliceiros têm vela (352)


salve mestre

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mestre antónio esteves e a sua obra: o “presidente”

esqueçam os planos
traçados a rigor de esquadro
medidas milimétricas
sofisticação de computador
 
o mestre tem outra arte
outras medidas outras regras
 
única e irrepetível
a obra
sempre a primeira
sempre a última
 
a obra do mestre
é a SUA OBRA
 
salve mestre
 
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mestre antónio esteves e a sua obra: o “presidente”

(murtosa; praia do bico; 31 de março; 2019)
 
crónicas da xávega (301)

crónicas da xávega (301)


o silêncio
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o meu amigo agostinho trabalhito (canhoto) a soltar o arinque do calão

o silêncio
é um lugar habitado
 
música dos amigos
ruídos de memórias agrestes
balbuciar de crianças
 
o silêncio
é um lugar habitado
 
conheço-o bem demais
a insónia povoa-o
de nomes gestos imagens
 
o silêncio
é um lugar habitado
 
onde te encontro
sem te ver
 
(torreira; 2013)
 
os moliceiros têm vela (350)

os moliceiros têm vela (350)


moliceiro
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à esquerda o ti zé rebeço, no o bota-abaixo do “Presidente”

 
de materiais vários
se faz o barco
mestres os mestres
na escolha
 
sucedem-se gerações
legam-se moldes
paus de pontos saberes
 
porém
é no erguer da vela
que o moliceiro
levanta a voz e fala
 
eis-me de regresso
inteiro e belo
 
assim o quero ver
enquanto
 
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à esquerda o ti zé rebeço, no o bota-abaixo do “Presidente”

 
(murtosa; praia do bico; 31/03/2019)