a memória de um tempo, de um lugar, de uma gente.
a nossa memória contada por francisco faustino em 23 de junho de 2018
aqui se fala da pesca, da caça, dos emigrantes, do bico, da torreira.
de um tempo ainda
a memória de um tempo, de um lugar, de uma gente.
a nossa memória contada por francisco faustino em 23 de junho de 2018
aqui se fala da pesca, da caça, dos emigrantes, do bico, da torreira.
de um tempo ainda
stalone

dez réis de gente
de tão leve
partiu já
do mar dos dias
a memória
um nome
peso pesado
para tão pouco
chamavam-lhe
stalone
(torreira; o arribar do calão; 2013;
para o zé titi

adormecem gaivotas na areia
sopra forte o norte
varrendo a praia
é inverno
atento caminha pela praia
busca um brilho
um pedaço perdido de verão
já houve mais diz-me
a crise também aqui se faz sentir
de poucas falas
sempre pronto a ajudar
é de terra este homem
aqui onde todos são de mar
veste-se de silêncio
difíceis as palavras
sentado num banco à beira ria
tem o tamanho do sorriso
a limpidez mais pura no olhar
chama-se zé titi
(torreira; 2010)
( para melhor entendimento do texto primeiro ver o vídeo da apresentação do livro na torreira e depois ler a “notícia” digitalizada )

in “Concellho da Murtosa” de 31 da agosto de 2018
…………………….
as pérolas-primas do primo ou as ppp’s do “Concelho da Murtosa”
quando me disseram estranhei, quando contei estranharam também mas, quando li, entendi.
tinha sido notícia no “Diário de Aveiro” e no “Notícias de Aveiro”, tinha de ser também no jornal da terra e pronto, havia que escrever algo, mesmo não conhecendo o livro, mesmo não tendo estado na sessão de lançamento – o artigo não é assinado, logo é da responsabilidade ou autoria do editor. havia, no entanto, o vídeo e, deduzo, foi a partir daí que a “notícia” foi escrita.
agora vamos a ela.
comecemos pela foto, é a cores e retrata uma cena da recriação da xávega em 2013, na torreira – a foto não é minha, o livro é a preto e branco e o seu conteúdo muito anterior.
“A memória de um povo faz-se pela cara das gentes” – sublinhado meu –, assim se intitula a “notícia”, deve de ter sido escrito depois de uma ida ao festival do bacalhau em ílhavo.
o título do meu livro é em minúsculas – todo o livro é em minúsculas, toda minha escrita é em minúsculas – e mal começa uma notícia quando a primeira letra é um erro, nesta porém a seguir há de tudo – erros de português, erros de impressão, falhas de revisão, citações mal feitas, corte e cola sem critério. apetece dizer que se alguém quiser aprender “como não fazer” pode começar por aqui.
alguns exemplos: “valeu apena”, em vez de “valeu a pena”, “meio bisavô” em vez de “meu bisavô”, “domingos josé cravo (gorim)” passa a “Domingos José Cravo”. se me citam usem, pelo menos, o meu modo de escrever. os textos entre aspas na “notícia”, citações do livro, não sabem o que é o respeito.
quanto aos delírios que vão surgindo, talvez por problemas de audição, organização interna ou o velho “tenho de despachar isto”, desafiam a criatividade de alguns dos melhores humoristas do nosso país. apesar de anexar a “notícia” na íntegra, não quero deixar de reproduzir alguns nacos que mais me fizeram rir e que resultam de colagens feitas pelo autor da “notícia”:
“ … as fotos de 1972, nunca saíram da Murtosa, foram todas feitas aqui, vieram da Murtosa.”
“ … fui somando memórias e fui e consegui a minha maior realização….”
“ … é o que eu deixo à Torreira, foi feito em França, fiz questão que isto ficasse bem, em França…”
enfim…. há mais mas eu gosto muito destes.
há, porém, o início de um parágrafo em que perco a vontade de rir porque, e agora cito o autor da “notícia”, se pode ler “ Um livro a três tempos, só tem piada se as fotos forem vistas com as palavras ao lado…”. poupem-me, há piada no livro? só para alguém que quer gozar comigo ou com aqueles que fotografei ou com os familiares dos retratados falecidos – mais de 40.
penso que o “Concelho da Murtosa” terá um revisor de textos. será que estava de férias? será que não quis rever este? ou será que reviu mesmo e quis deixar assim? qualquer das hipóteses não o deixa ficar bem.
peço a todos que leiam, ou releiam, o artigo que reproduzo. aos que estiveram presentes na sessão de lançamento na torreira que comparem com o que ouviram e aos que compraram o livro, e já foram muitos, que vejam se esta “notícia” tem alguma coisa a ver com o livro que compraram.
o beijo

numa folha de papel
desenhei dois lábios
como a arte é nula
ficaram mal feitos
mas
coisa estranha
beijaram-me

(torreira; regata do s. paio; 2018)
talvez o amor

talvez o amor
talvez a ria
talvez a vida
talvez
talvez a ternura
talvez a casa
talvez a bateira
talvez
onde antes dois
agora um
talvez o amor
talvez não
de certeza
(torreira; cirandar; 2016)
caminhos

o meu amigo alfredo amaral
os caminhos velhos
de tanto
gastaram-se
porque continuas
a buscá-los se
a viagem é agora
outra
(torreira; 2010)
da verdade

o moliceiro “Ferreira Nunes” que, sendo este o seu primeiro ano, ficou sempre entre os quatro primeiros de todas as regatas e no s. paio em segundo.
para mim ele é o grande vencedor das regatas de 2018.
a verdade
não sei se existe
mentiras
bem contadas
essas sim
existirão sempre

o moliceiro “Ferreira Nunes” que, sendo este o seu primeiro ano, ficou sempre entre os quatro primeiros de todas as regatas e no s. paio em segundo.
para mim ele é o grande vencedor das regatas de 2018.
(torreira; regata do s. paio; 2018)
para o josé antónio vieira (rito)

a bateira “pedro” tripulada por pedro vieira e o pai, josé antónio vieira (rito), vence a regata
nunca é cedo demais
acontece
a fala uma perna morta
um braço sem
incapacidade para
reerguer-se voltar a
ser de novo
se bem que outro
sobre viver
chama-se josé antónio
teve um AVC
o braço direito pende
inerte morto
ao leme da bateira
ganhou a regata
ganhou a si mesmo
brava gente esta
a da nossa ria

a bateira “pedro” tripulada por pedro vieira e o pai, josé antónio vieira (rito), vence a regata
(torreira; regata das bateiras; 2018)
silêncio

o santa maria adelaide foi primeiro
escrevo silêncio
d e v a g a r
letra a letra
em silêncio
(torreira; s. paio; corrida de chinchorros; 2018)